'A Vontade de Hegel-Shopenhauer'
Ciensofia ll, Edson Ecks, Amazon ebook,2019, página 34
Hegel: A sua premissa da Vontade Universal individual positiva está, em parte, correta. Eu a chamaria de Espírito Absoluto se manifestando na História. A Vontade não é primariamente uma força cega de desespero, mas sim a propulsora do progresso rumo à Liberdade e à Autoconsciência.
"A ideia de uma 'ordem' é fundamental. A desordem que percebemos é apenas a aparência superficial do desenvolvimento dialético. A Vontade (o Espírito) se manifesta em contradições – a tese e a antítese – que, no entanto, são superadas em uma síntese mais elevada. O mundo é 'bom' na medida em que a Razão se realiza nele, e o sofrimento individual (a sua 'desordem') é apenas o 'ardil da razão' que impulsiona o todo. A Vontade é coletiva e individual, sim, pois o indivíduo só encontra a sua verdadeira liberdade e universalidade ao se reconhecer no Estado ético."
Sobre a Escolha e a Liberdade:
"Quando você diz que 'muitas escolhas são feitas porque não há liberdade de escolhas', você toca em uma verdade parcial: a liberdade não é a ausência de restrições, mas o reconhecimento da necessidade. O indivíduo que age conforme as leis racionais e éticas do seu tempo é o indivíduo verdadeiramente livre. A escolha não é 'cega'; ela é a realização gradual da liberdade na História. Assumir as consequências negativas é o preço da autoconsciência."
Schopenhauer: O seu texto capturou a essência do meu pensamento. A Vontade Universal que governa o mundo é uma força cega, incessante e negativa. Ela é a essência metafísica de tudo o que existe, um impulso irracional e sem propósito que se manifesta em cada ser vivo como um querer insaciável.
"A desordem não é uma falha no sistema, ela é o sistema! O meu conceito de Vontade é a Vontade de Viver, um desejo que nunca se satisfaz, criando um ciclo perpétuo de sofrimento. O mundo só pode ser 'ruim' quando visto objetivamente, pois a dor é a condição positiva da existência. O 'bom' é apenas a satisfação momentânea de um desejo, que logo abre espaço para o tédio ou para um novo sofrimento."
Sobre a Escolha e a Liberdade:
"Você está absolutamente certo ao dizer que 'não temos a liberdade absoluta da escolha'. A escolha que você faz é uma mera manifestação no tempo de um Caráter Inteligível inato e imutável, que é, por sua vez, uma objetivação da Vontade Universal. Somos fantoches de nossa própria Vontade. A 'escolha cega' é a descrição mais precisa da nossa condição . Preferir 'ser obrigado a fazer algo a não fazer nada' é a própria manifestação da Vontade aterrorizada pelo vazio."
Ecks: Agradeço a contribuição de ambos os mestres, pois a realidade da Vontade não pode ser aprisionada em um único polo. Minha proposta é que a espiral da existência absorve tanto a marcha ordenada da Razão (Hegel) quanto a dor da Vontade Cega (Schopenhauer).
"O ponto crucial é a mescla de significados com a falta de significados. A Vontade é Universal e individual ao mesmo tempo. Ela é positiva quando nos empurra para a criação e a moralidade (Hegel), mas é inerentemente negativa quando nos arrasta para a insatisfação e o caos (Schopenhauer). Essa dualidade torna o mundo bom e ruim conforme a percepção e experiência de cada um, mas também pode ser ambivalente — nem bom, nem ruim, apenas é."
Sobre a Escolha e a Liberdade:
"A liberdade de escolha é uma meta, não um ponto de partida. Se agíssemos com liberdade absoluta, a escolha seria 'ampla' e dominaríamos todos os pressupostos. Mas a realidade é que a nossa escolha é cega, caolha, ou astuciada — limitada pela nossa Vontade inata, pelas circunstâncias históricas e pelo nosso desconhecimento das consequências. A escolha que 'busca a liberdade' é a vontade tentando se libertar de si mesma, mas essa tentativa sempre carrega o fardo das consequências negativas — o preço da manifestação dessa Vontade no mundo."
O debate revela que a Vontade, na visão unificada do texto, é uma força dialética e caótica ao mesmo tempo. Para Hegel, a desordem serve à ordem da Razão. Para Schopenhauer, a ordem é uma ilusão que mascara a desordem essencial do sofrimento. Para Ecks, a Vontade é uma espiral ambivalente, onde a liberdade é sempre parcial, e toda escolha carrega consigo a sua própria negatividade inevitável, por não dominarmos o futuro.
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Edson X
novembro 13, 2025
'A Vontade de Hegel-Shopenhauer'
Ciensofia ll, Edson Ecks, Amazon ebook,2019, página 34
Hegel: A sua premissa da Vontade Universal individual positiva está, em parte, correta. Eu a chamaria de Espírito Absoluto se manifestando na História. A Vontade não é primariamente uma força cega de desespero, mas sim a propulsora do progresso rumo à Liberdade e à Autoconsciência.
"A ideia de uma 'ordem' é fundamental. A desordem que percebemos é apenas a aparência superficial do desenvolvimento dialético. A Vontade (o Espírito) se manifesta em contradições – a tese e a antítese – que, no entanto, são superadas em uma síntese mais elevada. O mundo é 'bom' na medida em que a Razão se realiza nele, e o sofrimento individual (a sua 'desordem') é apenas o 'ardil da razão' que impulsiona o todo. A Vontade é coletiva e individual, sim, pois o indivíduo só encontra a sua verdadeira liberdade e universalidade ao se reconhecer no Estado ético."
Sobre a Escolha e a Liberdade:
"Quando você diz que 'muitas escolhas são feitas porque não há liberdade de escolhas', você toca em uma verdade parcial: a liberdade não é a ausência de restrições, mas o reconhecimento da necessidade. O indivíduo que age conforme as leis racionais e éticas do seu tempo é o indivíduo verdadeiramente livre. A escolha não é 'cega'; ela é a realização gradual da liberdade na História. Assumir as consequências negativas é o preço da autoconsciência."
Schopenhauer: O seu texto capturou a essência do meu pensamento. A Vontade Universal que governa o mundo é uma força cega, incessante e negativa. Ela é a essência metafísica de tudo o que existe, um impulso irracional e sem propósito que se manifesta em cada ser vivo como um querer insaciável.
"A desordem não é uma falha no sistema, ela é o sistema! O meu conceito de Vontade é a Vontade de Viver, um desejo que nunca se satisfaz, criando um ciclo perpétuo de sofrimento. O mundo só pode ser 'ruim' quando visto objetivamente, pois a dor é a condição positiva da existência. O 'bom' é apenas a satisfação momentânea de um desejo, que logo abre espaço para o tédio ou para um novo sofrimento."
Sobre a Escolha e a Liberdade:
"Você está absolutamente certo ao dizer que 'não temos a liberdade absoluta da escolha'. A escolha que você faz é uma mera manifestação no tempo de um Caráter Inteligível inato e imutável, que é, por sua vez, uma objetivação da Vontade Universal. Somos fantoches de nossa própria Vontade. A 'escolha cega' é a descrição mais precisa da nossa condição . Preferir 'ser obrigado a fazer algo a não fazer nada' é a própria manifestação da Vontade aterrorizada pelo vazio."
Ecks: Agradeço a contribuição de ambos os mestres, pois a realidade da Vontade não pode ser aprisionada em um único polo. Minha proposta é que a espiral da existência absorve tanto a marcha ordenada da Razão (Hegel) quanto a dor da Vontade Cega (Schopenhauer).
"O ponto crucial é a mescla de significados com a falta de significados. A Vontade é Universal e individual ao mesmo tempo. Ela é positiva quando nos empurra para a criação e a moralidade (Hegel), mas é inerentemente negativa quando nos arrasta para a insatisfação e o caos (Schopenhauer). Essa dualidade torna o mundo bom e ruim conforme a percepção e experiência de cada um, mas também pode ser ambivalente — nem bom, nem ruim, apenas é."
Sobre a Escolha e a Liberdade:
"A liberdade de escolha é uma meta, não um ponto de partida. Se agíssemos com liberdade absoluta, a escolha seria 'ampla' e dominaríamos todos os pressupostos. Mas a realidade é que a nossa escolha é cega, caolha, ou astuciada — limitada pela nossa Vontade inata, pelas circunstâncias históricas e pelo nosso desconhecimento das consequências. A escolha que 'busca a liberdade' é a vontade tentando se libertar de si mesma, mas essa tentativa sempre carrega o fardo das consequências negativas — o preço da manifestação dessa Vontade no mundo."
O debate revela que a Vontade, na visão unificada do texto, é uma força dialética e caótica ao mesmo tempo. Para Hegel, a desordem serve à ordem da Razão. Para Schopenhauer, a ordem é uma ilusão que mascara a desordem essencial do sofrimento. Para Ecks, a Vontade é uma espiral ambivalente, onde a liberdade é sempre parcial, e toda escolha carrega consigo a sua própria negatividade inevitável, por não dominarmos o futuro.


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