A "Matéria Escura" da biodiversidade: por que certas espécies vegetais não retornam ao ambiente mesmo após o reflorestamento / Seleção Biométrica de Edson Ecks
Atividades de restauração ecológica como refloerstamentos são fundamentais mas sozinhos não são capazes capazes de devolver toda a biodiversidade de uma área degradada. Preservar, portanto, continua sendo a melhor solução
Por: Jéssica Oliveira Araujo, Bióloga e doutoranda em Ecologia, Universidade Estadual de Londrina (UEL)
12 fev2025
A restauração ecológica é uma atividade fundamental em tempos de crise climática e desmatamento. Mas ela, sozinha, não é capaz de devolver toda a biodiversidade de uma área degradada.
Essa constatação é relativamente nova, e podemos começar a explicá-la com um exemplo bem documentado cientificamente: em um reflorestamento iniciado em 2001 numa área onde originalmente havia Mata Atlântica, no norte do Paraná, foram plantadas mudas de 45 espécies de árvores nativas. E no ano passado, 23 anos depois, encontramos no local 35 outras espécies de árvores, que colonizaram a área de forma espontânea, sem qualquer influência do reflorestamento.
Levantamentos mostram que a diversidade de árvores naquela região de Mata Atlântica do norte do Paraná ultrapassa 300 espécies. E, num pequeno fragmento de Mata Atlântica, mesmo degradado como o objeto do estudo acima, a biodiversidade local é capaz de oferecer mais de 100 espécies de árvores.
Esses achados científicos relativizam uma ideia até recentemente muito difundida entre cientistas e restauradores de que, se recriamos a estrutura de uma vegetação, as espécies que não conseguimos manipular brotarão espontaneamente. Definitivamente, isso não acontece com todas as espécies.
Se um vegetal preenche todos os requisitos para chegar e crescer, mas não surge no ecossistema em restauração, ele pode fazer parte do que chamamos de "diversidade escura", ou seja, a chamada "matéria escura" da biodiversidade. A expressão vem do inglês "dark matter", termo consagrado na cosmologia para definir uma forma de matéria que não interage com a matéria comum, nem consigo mesma....
Diálogo sobre a "Matéria Escura" da Biodiversidade: Seleção Natural e Seleção Biométrica
A seguir, apresentamos um diálogo hipotético entre Edson Ecks (proponente da Seleção Biométrica) e as pesquisadoras do artigo, Jéssica Oliveira Araujo e José Marcelo Torezan, sobre as implicações de suas descobertas para as teorias evolutivas.
Contexto do Artigo
Título do Artigo: A "Matéria Escura" da biodiversidade: por que certas espécies vegetais não retornam ao ambiente mesmo após o reflorestamento
Autoras/Pesquisadores: Jéssica Oliveira Araujo (Bióloga e doutoranda em Ecologia, Universidade Estadual de Londrina - UEL) e José Marcelo Torezan (Professor/Pesquisador, citado como recebedor de financiamento para pesquisa no artigo).
Fonte e Data: The Conversation, 12 de fevereiro de 2025.
Origens da Vida, Edson Ecks, Amazon ebook, 2021
O Diálogo
Edson Ecks: Prezada Doutoranda Jéssica Oliveira Araujo e Professor José Marcelo Torezan, parabéns pelo artigo instigante sobre a "Matéria Escura" da biodiversidade. O caso da floresta no Paraná, onde 23 anos de reflorestamento trouxeram apenas 35 espécies espontâneas das mais de 100 esperadas, é um dado poderoso.
Jéssica Oliveira Araujo: Agradecemos, Sr. Ecks. Nossas descobertas reforçam a urgência de proteger o que resta, pois o plantio ativo não garante o retorno de toda a diversidade original. O ponto central é que algumas espécies simplesmente não são selecionadas pelo novo ambiente restaurado.
Edson Ecks: É aí que gostaria de aprofundar a discussão. A Seleção Natural, proposta por Darwin e Wallace, foca no meio ambiente como selecionador das características mais aptas. O que vocês descrevem, porém, parece tangenciar a Seleção Biométrica, que proponho. A falha no retorno dessas espécies, que chamei de "Matéria Escura" da biodiversidade, não demonstra que o meio bio-fisioquímico – o novo ambiente em restauração – não é biometricamente apto para elas naquele espaço-tempo específico?
José Marcelo Torezan: É uma leitura interessante. O conceito de "Seleção Natural" em nosso contexto é bastante claro: o novo ambiente, por falta de dispersores, microclima adequado, ou interações microbianas, seleciona contra a sobrevivência dessas espécies. Elas não são aptas a sobreviver e se perpetuar ali.
Edson Ecks: Mas a Seleção Biométrica amplia essa visão ao focar na interdependência ambiente-organismo. Vocês citam que a sobrevivência depende da chegada da semente, do microclima (umidade e temperatura), e de interações ecológicas. Estes são fatores bio-fisioquímicos e espaço-temporais que o reflorestamento ativo não conseguiu recriar perfeitamente. O ambiente restaurado, mesmo plantado, não se tornou o parceiro biométrico ideal para essas espécies de "Matéria Escura".
Jéssica Oliveira Araujo: De fato, enfatizamos que não basta a semente chegar; é preciso sobreviver. As limitações na dispersão (distância, falta de corredores ecológicos), o microclima alterado e a perda de interações, como a falta de microrganismos específicos, criam um filtro seletivo que impede a continuidade da espécie. Sob a ótica da ecologia da restauração, este é um mecanismo de seleção natural atuando no novo habitat. A diferença é que a falha não está necessariamente na genética da espécie, mas na disponibilidade das condições ambientais essenciais no tempo e espaço do projeto de restauração.
Edson Ecks: E essa disponibilidade de condições essenciais é exatamente a luta pela existência dos "ambientes-organismos". O ambiente restaurado e a espécie de "Matéria Escura" estão em uma luta onde o par não é mutuamente apto. Suas evidências sobre a importância da dispersão na paisagem e a necessidade de intervir em toda a paisagem para criar corredores ecológicos mostram que a seleção ocorre em um contexto muito mais amplo do que apenas o local plantado, envolvendo o espaço-tempo da matriz da paisagem fragmentada.
José Marcelo Torezan: Concedo que a ênfase da sua teoria no fator espaço-tempo e na interdependência entre organismo e ambiente de forma mais ativa ressoa com a complexidade que encontramos. O fato de algumas espécies estarem "confinadas nos remanescentes" sugere que o conjunto de condições que lhes permite prosperar – o seu nicho, ou, como você diria, o seu par biométrico apto – não foi recriado ou alcançado pelo reflorestamento. É uma seleção que depende da restauração completa do sistema ecológico, não apenas da estrutura vegetal.
Jéssica Oliveira Araujo: No fim, nosso apelo é que, ao compreendermos esses filtros seletivos—essa "Matéria Escura"—podemos refinar a restauração ativa (plantando mais espécies difíceis) ou, o que é mais urgente, concentrar nossos esforços em preservar os remanescentes, onde as interações e condições biométricas para todas as espécies já existem.
Quanto vale esse trabalho de Edson X?
Pix
Nathalia Maquine Gonçalves
Peça o livro Observador... De Edson X pelo o e-mail luminadox@gmail.com
EDSON ECKS , escritor e compositor, membro da Academia de Letras, Ciências e Culturas da Amazônia (ALCAMA),
Livros de EDSON ECKS, na Amazon
CIENSOFIA l e ll - ORIGENS DA VIDA - GENERANALISE -PENSAMENTOS SOBRE PENSAMENTOS l e ll - CONTOS, PARÁBOLAS E FABULAS DE EDSON ECKS - XDeus - Depois do Futuro (sci-fi)
As 15 Leis Universais de Edson X Física ,. psicologia, neurociência, cosmologia, astronomia, quântica ....
https://edson-exs.blogspot.com/2024/03/blog-post_22.html?m=1



Comentários
Postar um comentário