Flor imita cheiro de formiga morta para atrair moscas polinizadoras




É o primeiro caso descrito de plantas imitando cheiro de formigas para confundir um indivíduo de outra espécie, também chamado de mimetismo


25/09/2025 14:18, atualizado 25/09/2025 14:18


Imagem colorida de planta que atrai moscas através do cheiro de formigas atacadas por aranhas - Metrópoles 


O cheiro pode ser uma sensação bastante atrativa entre os seres humanos. Afinal, quem nunca teve vontade de comer um pão quentinho apenas pelo odor? No mundo animal, não é diferente. Um pesquisador japonês descobriu que Vincetoxicum nakaianum, uma planta nativa do Japão, imita o cheio de formigas mortas ou feridas por aranhas para atrair moscas polinizadoras.


É o primeiro caso descrito de plantas imitando cheiro de formigas para confundir um indivíduo de outra espécie (mimetismo floral). O estudo foi realizado pelo pesquisador Ko Mochizuki, da Universidade de Tóquio, no Japão, e publicado na revista científica Current Biology nessa quarta-feira (24/9).


Descoberta Acidental 


Mochizuki conta que a descoberta do mecanismo foi acidental e ocorreu enquanto ele estava se dedicando a outro projeto. “Originalmente, coletei esta espécie apenas como ‘referência’ para comparação. Por acaso, notei moscas cloróides se reunindo em torno de suas flores no viveiro do Jardim Botânico de Koishikawa e imediatamente percebi que as flores poderiam estar imitando insetos mortos”, diz o autor, em comunicado.


Diálogo Sobre Mecanismos de Seleção

O diálogo a seguir se baseia nas informações fornecidas sobre Seleção Natural (Darwin e Wallace) e Seleção Biométrica (Edson Ecks), além de incluir os pesquisadores do artigo de 2025: Ko Mochizuki e Jorge Agle (autor da notícia).


Personagens


Edson Ecks: Proponente da Seleção Biométrica.

Ko Mochizuki: Pesquisador principal do artigo sobre mimetismo floral.

Jorge Agle: Autor da notícia que divulgou o artigo.


Narrador: Condutor do debate.


Fonte e Data do Artigo Científico

Fonte: Revista científica Current Biology.

Data: Quarta-feira, 24 de setembro de 2025.

Pesquisador Principal: Ko Mochizuki.


Edson Ecks, ORIGENS da Vida, Amazon ebook, 2021





O Diálogo


Narrador: Senhores, para iniciarmos esta discussão sobre evolução e adaptação, por favor, expliquem as principais diferenças entre os mecanismos de seleção que vocês estudam: a Seleção Natural clássica, a Seleção Biométrica e, no contexto da pesquisa mais recente, o mimetismo como um tipo de seleção.


Edson Ecks: A Seleção Natural, proposta por Alfred Wallace e Charles Darwin, é um pilar da biologia. Ela afirma que o meio ambiente é o agente selecionador que atua sobre o organismo, perpetuando o mais apto a sobreviver em determinado local. O foco está no organismo e na pressão ambiental externa.


Edson Ecks: Minha proposta, a Seleção Biométrica, inverte o foco e propõe uma interdependência mais profunda. O meio físico-químico (espacial-Terrestre), com suas divisões, é ativo no processo evolutivo. Não é apenas o organismo que se adapta ao ambiente; o "ambiente-organismo" é uma unidade inseparável. A luta pela existência ocorre nessa interdependência, onde o ambiente-organismo mais biometricamente apto a sobreviver em um espaço-tempo é perpetuado. É uma visão onde o espaço e o tempo são agentes fundamentais na distinção das espécies, algo que vai além da mera sobrevivência individual.


Ko Mochizuki: É fascinante observar como a Seleção Natural se manifesta em casos extremos, como o que eu descrevi. No meu estudo sobre a Vincetoxicum nakaianum, vimos um exemplo claro de pressão seletiva sobre a comunicação química. A diferença principal aqui é o mecanismo de engodo que a planta desenvolveu.


Ko Mochizuki: A Seleção Natural agiu para favorecer as plantas que conseguiam imitar o cheiro de formigas mortas ou feridas por aranhas. Isso atrai moscas cloróides cleptoparasitas, que esperam se alimentar da presa da aranha, mas acabam polinizando a flor. O agente selecionador é a necessidade de polinização em um ambiente onde a imitação de um sinal de "morte" ou "recurso fácil" é mais eficaz. A principal diferença para os conceitos mais amplos é que o traço selecionado (o cheiro) não melhora a aptidão do organismo em si, mas sim a sua interação com um vetor (a mosca), explorando uma falha ou um comportamento oportunista desse vetor.


Jorge Agle: Como jornalista de ciência, vejo a diferença em como o resultado é percebido. O caso da flor, descrito pelo Ko Mochizuki, é a Seleção Natural em ação na escala da química e do comportamento: um traço (o odor) é selecionado. Já a Seleção Biométrica, de Edson Ecks, propõe uma mudança na própria teoria da Seleção, tornando o sistema ambiente-organismo o foco da seleção, o que é uma diferença conceitual muito mais abrangente. A Seleção Natural é a teoria estabelecida que explica como o mimetismo acontece; a Seleção Biométrica é uma proposta que altera quem ou o que está sendo selecionado.


Edson Ecks: Exatamente. A Seleção Natural foca no indivíduo (o mais apto); a Seleção Biométrica foca no ambiente-organismo (o mais biometricamente apto). Meu foco está na unidade do sistema e em como o espaço-tempo atua na própria definição da distinção entre espécies.


Narrador: Concluímos, então, que a diferença reside no agente selecionador e na unidade de seleção: a Seleção Natural foca no meio ambiente atuando sobre o organismo; e a Seleção Biométrica foca no meio físico-químico ativo atuando sobre o ambiente-organismo como uma unidade. O mimetismo de Ko Mochizuki é uma sofisticada manifestação da Seleção Natural no nível de interação entre espécies.


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