Vamos comparar as duas teorias, Seleção Natural e Seleção Biométrica, com o artigo sobre a descoberta da célula "dissolve ossos" em cobras.


Comparação das Teorias com a Descoberta Científica

Seleção Natural e a Célula "Dissolve Ossos"

A Seleção Natural, conforme proposta por Alfred Wallace e Charles Darwin, afirma que o ambiente atua como um selecionador de características, perpetuando os organismos mais aptos a sobreviver em determinado local. No contexto do artigo sobre as pítons, a descoberta da célula que dissolve ossos é um exemplo clássico de uma adaptação resultante da seleção natural.

Pressão Ambiental: Cobras, como carnívoros que engolem presas inteiras (incluindo os ossos), enfrentam o desafio de lidar com uma enorme ingestão de cálcio. Se não conseguissem processar esse excesso, isso poderia ser prejudicial. Ao mesmo tempo, a necessidade de cálcio para o próprio metabolismo da cobra torna a ingestão de ossos crucial.,

Vantagem Seletiva: A capacidade de digerir e absorver o cálcio dos ossos de forma eficiente, sem sobrecarregar o organismo ou perder nutrientes valiosos, confere uma vantagem seletiva significativa às cobras. A nova célula descoberta é o mecanismo biológico que permite essa adaptação.

Perpetuação da Característica: Indivíduos com essa característica (a capacidade de produzir e usar essas células especializadas) teriam maior probabilidade de sobreviver, prosperar e se reproduzir, passando essa característica para suas proles. Ao longo de gerações, essa adaptação se tornaria comum na população, como é o caso das pítons e outras espécies de cobras e lagartos que possuem a mesma célula.

A descoberta dessa célula ilustra como o ambiente (a dieta à base de presas inteiras) "selecionou" uma característica específica (a capacidade de dissolver ossos) que tornou as cobras mais "aptas" a sobreviver e prosperar em seu nicho ecológico.

Seleção Biométrica e a Célula "Dissolve Ossos"

A Seleção Biométrica, de Edson X (Origens da Vida, Amazon, 2022) propõe um conceito mais abrangente, onde o meio bio-físico-químico (natural/artificial, espaço sideral-terrestre) é ativo no processo evolutivo. Enfatiza a interdependência entre ambiente e organismo ("ambiente-organismo são interdependentes") e que, na "luta pela a existência dos ambientes-organismos, organismos-organismos, ambientes-ambientes", seleciona e desprende caracteres, perpetuando o "ambiente-organismo mais biometricamente apto a sobreviver em determinado espaço-tempo".

Embora a Seleção Biométrica seja mais ampla, alguns de seus conceitos podem ser relacionados à descoberta da célula "dissolve ossos":

Interdependência Ambiente-Organismo: A pesquisa destaca claramente a interdependência entre a dieta das cobras (o "ambiente" em que se alimentam, com presas inteiras contendo ossos) e o organismo da cobra, que desenvolveu uma célula específica para lidar com essa dieta. O "meio bio-fisioquímico" (a composição dos alimentos e a necessidade de cálcio) é o catalisador para a adaptação.

Luta pela Existência (Organismo-Organismo/Ambiente-Organismo): A necessidade de digerir os ossos pode ser vista como parte da "luta pela existência" em dois níveis:

Organismo-Organismo: A competição por presas que incluem ossos (seja com outras cobras ou com outras espécies) pode ter favorecido aquelas com digestão mais eficiente.

Ambiente-Organismo: A própria adaptação da cobra para processar seu alimento de forma eficiente é uma "luta" para se adequar ao seu ambiente alimentar. A ineficiência na digestão óssea poderia levar à deficiência de cálcio ou a outros problemas de saúde, impactando a sobrevivência.

Perpetuação do Ambiente-Organismo "Biometricamente Apto": A descoberta da célula "dissolve ossos" é um exemplo de como uma característica específica (e mensurável biométricamente, através de sua presença e função celular) foi selecionada e perpetuada, tornando o "ambiente-organismo" (a cobra adaptada ao seu nicho alimentar) mais apto. O "desprender de caracteres" pode ser interpretado como o refinamento ou o surgimento dessa função celular específica ao longo da evolução.

A Seleção Biométrica oferece uma perspectiva mais ampla que engloba as interações complexas entre todos os elementos (biológicos, físicos, químicos) que levam a uma adaptação. A célula "dissolve ossos" é uma manifestação concreta dessa adaptação, moldada pelas necessidades específicas da píton em seu "espaço-tempo" ecológico.

Ambas as teorias fornecem estruturas para entender a descoberta da célula que dissolve ossos. A Seleção Natural oferece uma explicação mais direta para a evolução dessa característica através da adaptação e vantagem seletiva, enquanto a Seleção Biométrica amplia a visão para incluir a complexa teia de interações bio-físico-químicas que moldam a aptidão de um organismo em seu ambiente.






Biologia


Cientistas descobrem célula que "dissolve ossos" no intestino de cobras


O estudo analisou pítons birmanesas e identificou partículas celulares que eram desconhecidas até então


Por Redação Galileu


09/07/2025 19h14  Atualizado há 23 horas



Pítons birmanesa Cvmontuy via Wikimedia Commons


Uma pesquisa realizada com pítons birmanesas (Python bivittatus) revelou a existência de um tipo de célula intestinal anteriormente desconhecido, responsável por absorver completamente os esqueletos de presas. O estudo foi publicado no Journal of Experimental Biology e acaba de ser apresentado na Conferência Anual da Sociedade de Biologia Experimental.


A maioria dos animais carnívoros e onívoros não consomem ossos. No entanto, as cobras (e outros répteis) abocanham suas presas inteiras. Elas têm deficiência de cálcio se não comerem ossos, mas ingerir uma presa inteira poderia ter o efeito contrário. “Queríamos identificar como eles eram capazes de processar e limitar essa enorme absorção de cálcio através da parede intestinal”, diz Jehan-Hervé Lignot, professor da Universidade de Montpellier e um dos autores do estudo, em um comunicado da Sociedade de Biologia Experimental.

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Ele e sua equipe analisaram as células do revestimento intestinal de pítons birmaneses, usando microscopia e medições de cálcio no sangue e nos hormônios. “Uma análise morfológica do epitélio da píton revelou partículas específicas que eu nunca tinha visto em outros vertebrados”, diz Lignot. Essas partículas foram encontradas dentro da “cripta” interna de células responsáveis pela digestão.

Para avaliar a função dessas partículas, as células intestinais das pítons foram analisadas depois de elas serem alimentadas com três dietas diferentes: normal (com roedores inteiros), de baixo cálcio (com presas sem ossos) e rica em cálcio (com injeções de cálcio).

Os pesquisadores descobriram que, quando alimentadas com presas sem ossos, as partículas não eram produzidas. Elas só apareciam na cripta celular quando as cobras ingeriam roedores inteiros ou recebiam injeções de cálcio. Nenhum fragmento ósseo foi encontrado nas fezes da píton, confirmando que os esqueletos eram sempre completamente dissolvidos dentro do corpo.

Posteriormente, essa nova célula especializada na digestão de ossos, também foi identificada em várias outras espécies de pítons e jiboias, bem como no monstro-de-gila, um lagarto da América do Norte.







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