Amazona



Quando Tonha chegou na aldeia do Vento do Norte ,  ela foi avisada do perigos que rondava aquela aldeia , pois o grande monstro Mapinguari está sequestrando as crianças daquela aldeia , que eles acreditava que era para Mapinguari se alimentar delas.

 Em uma bela noite de Luar, estando Tonha conversando com o pajé Rudá, sobre Mapinguari, o que  ele era ,  sua força,  seus poderes, eis que uma bela jovem indígena entra na conversa  explicando um plano para eles matarem o Mapinguari, armar uma armadilha fatal para ele , e assim , se livrar de vez daquele perigo terrível .




Era a indígena Tainá Yara Guaraci , Tonha se encantou pela a inteligência da jovem Yara , e a ouviu atentamente , no final , e assim ficou decidido que na noite posterior, a partir das  21:00 hrs , iriam todos para o local indicado , e ali fariam a tocaia para o poderoso Mapinguari.



E assim foi 


Depois desse feito , houve festejos por toda a aldeia ,  Tonha dançou , cantou , participou dos ritos dos Ventos do Norte, mas depois da noite , veio o Sol da manhã andando a Lua descansa do seu labutar .


Tonha, Yara , o pagé Rudá, os guerreiros que participaram do embate com o Mapinguari, e o povo da ladeira , passaram a noite contato esse feito em júbilo .



Pela manhã, Tonha se despede de todos que passaram a noite de pé , sem fechar os olhos para o mundo dos sonhos , então , Tonha  se dirige para um pequeno porto, de carga e descarga, das treze tribos que habitam aquela região .


Enquanto  Tonha aguarda seu barco que está chegando ,  ela olha na direção do rio , qual está vindo o barco , mas intuitivamente ela olha para trás , e vê uma figura que aos poucos vai se tornando mais nítida , é Yara , a índia inteligente, que participou do plano de pegar o Mapinguari.



O que a impressiona é que Yara está com uma mochila e uma mala , ela não havia dito a ela , no meio de toda aquela conversa, que tiveram na noite anterior, que Yara também viajaria no mesmo e dia e hora que Tonha, só falta ser no mesmo barco , e agora ela estava ali a olhando com um olhar de devoção para Tonha , que foi chamada pela a tribo do Ventos do Norte, de: A filha de Tupã.


Tonha quebra o silêncio:


" Menininha danadinha , não me disse  nada que ia pru mermo rumo qui eu , a viagem vai se estupenda tendo a campainha de minha amiga Amazona"


" Sim, vou no mesmo rumo que você vai , porque nisso está meu coração !"


Tonha: " Fala difícil , num entendu esse tipo de fala , sou meio bicho do mato , uma pedra ambulante . Desenbucha , fala direto o assunto . O que tah pegano?"


Yara : 


" Tonha , sou indígena, mas  eu sou formada em direto , tenho faculdade  .  Amo meu povo , nunca os deixarei ... Bom, pelo não para sempre "


Tonha faz ar de preocupada,  entende o que Yara está querendo , ela já fez algo parecido , quando saiu do Ceará para o Reino Amazônico, e era como se ela pudesse sentir a dor dos seus parentes e amigos , nas palavras da Yara .



"Teu pessoal está sabendo disso ?", pergunta Tonha


"Não e nem deve pelo menos por enquanto , deixei uma carta explicando tudo para os meus pais e para o povo do Ventos do Norte , vai ser dolorido? Vai , mas a dor vai nos ensinar que o mundo é grande , e que eu quero usufrui-lo , conquistar novos horizontes , e prometir que faria grandes feitos , e traria grandes tesouros para eles .



Naquela noite em qua você me falou da Cidade de Ouro , e dos seus planos , vi em você meu reflexo no espelho, por isso : eis-me aqui!"


Como Tonha poderia dizer não para aquela sonhadora mulher ? Ela representava tudo que ela também queria e era .


" Tu realmente queres deixar o Paraíso pelo o Inferno da Cidade ?" Pergunta Tonha.


"Quem aprendeu a viver no inferno não quer mais saber do Paraíso !" Responde Yara , e essas palavras impressionam Tonha.


Com essas palavras Tonha não teve mais dúvidas havia encontrado mais um louco que pensava igual a ela , se o mundo é um hospício à céu aberto , ela tinha encontrado uma louca para dividirem suas loucuras .


Tonha:


" Amazona, tu acha que teus pais e povo vai te perdoar por esse ato teu ?"


"Sim ou não", indaga Yara .



"Explica isso "


"Há um costume que se  um dos filhos dos Ventos do Norte,  fugirem da aldeia , se retornarem com grandes feitos , e melhorias para a tribo , ele será perdoado. Pois será considerado um grande desbravador , porém , se voltar com A Cuia  vazia Na Mão, ele terá que vim nu , andando de costas para o povo , será desconsiderado pela tribo , será tratado como um cachorro pulguento, podendo ser perdoado ou não : triste mais verdadeiro "


"Já pensou tu virando uma cadela puguenta velha, perambulando pela a tribo? A cena é terrível e patética ao mesmo tempo" Fla Tonha , com ar de desprezo, e complementa, 


" Mas Não cobro de ninguém, o que faço também :


Já que estais decidida , nosso barco está chegando , vamos embarcar , que nossos sonhos e pesadelos nos guiem nesse imenso rio que é a vida !".


Yara aperta a mão de Tonha , lhe dar um abraço , depois olhar em diração a sua aldeia , onde está seu amado povo , suspira fundo , vira e entra na embarcação com Tonha : 

A Filha de Tupã. O que mais poderia dar errado ?


Ao embarcarem Tonha pergunta para a Yara:


"Conhece a cantiga do rio?"


"Não", responde Yara .


"Olhe para o rio , veja sua corrente incessante, ela é uma força incessante da natureza , hora temos que enfrentar a correnteza , hora deixar que nos leve a  correnteza , Mas nesse momento vamos enfrentar a correnteza, vamos cair subindo . Diz Tônha e começar a cantar:


"Siga sempre o rio 

Siga sempre o rio 

Pra cima , pra cima 

Siga sempre o rio 

Siga sempre o rio 

Pra cima , pra cima"


Bora, Yara,  deixa de moleza , canta comigo"


Yara meio com vergonha começa a cantar junto com Tonha, começa baixinho , depois se solta , e as duas cantam com alegria :


Siga sempre o rio 

Siga sempre o rio 

Pra cima , pra cima 

Siga sempre o rio 

Siga sempre o rio 

Pra cima , pra cima ...



A vida sem amizade é um deserto , mas Tonha e Yara encontram uma na outra suas almas gêmeas da existência, uma dará mais sentido a vida da outra, enquanto elas cantam a cantiga do Sempre Siga o Rio , na proa do barco , o barco corta as águas turvas do imenso Rio Negro .





Amazona, personagem de Edson X 





Retribua o trb do escritor e compositor Edson X 

Pix

luminadox@gmail.com 

Nathalia Maquine Gonçalves 



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