O BRUTo E O SÁBio por Edson X 






                                  Um homem por ser alto e forte achava-se o “Invencível”, porque, principalmente na cidadela onde residia, as pessoas na grande maioria, eram de estatura média ou pequenas. 


Certo dia, um filho desse povo, que havia saído ainda muito jovem daquela cidade para estudar no exterior, retornou. 


O bruto passou a se incomodar com esse ‘filho do orgulho’, principalmente porque o povo passou a chamá-lo de ‘Mestre’ (mesmo contra a sua vontade). O bruto quando o via passar o cutucava: 


“Mestre. Só se for mestre de nada”. Ou ainda chamava-o de ‘forasteiro’, ‘pigmeu’, ‘banquinho’. 


 Alguns  amigos chegavam com o insultado e lhe perguntavam:


 “Por que tu deixas o Mamute falar assim contigo. Se tens o poder e não o usas perdes a virtude. Tu és um símbolo para nós, não nos decepcione.”


 “Cada um vive por si e morre por si mesmo”, rebateu o pequeno mestre.


Quando faltava uma semana para o pequeno mestre voltar para o país onde estudava, ao passar pela rua onde o Mamute morava, este repetiu:


 “Mestre. Só se for mestre do nada”, e concluiu, “Eu te desafio para um embate, tens um corpo atlético creio que suportas um minuto comigo no tatame” (O Mamute tinha uma academia onde gerava mais mamutes).


O jovem mestre replicou:


 “Covarde e ignorante é aquele que mesmo sabendo da fragilidade do inimigo o agride e o humilha.” “Não me importo”, disse o mamute, “quero quebrar tuas costelas”, e avançou.


 Ao tentar golpear o jovem mestre, este o golpeou de várias formas, e depois, o imobilizou, e disse: 


“Nenhum homem tem o direito de atacar, mas todo homem tem o direito de se defender.” 


E as pessoas que acompanharam aquele acontecimento, admiraram muito mais ainda aquele homem, filho da terra.


O Mamute não se deu ao trabalho de pesquisar que tipo de mestre era o ‘jovem mestre’. Ele já tinha vários graus num determinado ramo das artes marciais. Enquanto o Mamute usou a brutalidade ele usou a técnica, era como se o Mamute tivesse perdido para ele mesmo, pois ele usou a força dos golpes do Mamute contra ele mesmo e o derrotou legitimamente. 


O Mamute envergonhado mudou-se até da cidadela, e nunca mais a incomodou, com sua intempérie. Enquanto que o ‘jovem mestre’, virou símbolo daquele lugar, onde fundou uma academia onde se formava sábios lutadores, não mais mamutes. 






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