Mas quem realmente fundamentou a teoria da evolução Walace Russel ou Charles Darwin?



Você sabe quais são as diferenças tão faladas, mas não explicadas , entre os trabalhos apresentados por Walace Russel e Charles Darwin na Sociedade Lineanna em 1858? 



Eis a explicação. 



  Reunião da Sociedade Lineana em 1858, para apresentação dos trabalhos sobre evolução natural desenvolvidos por Wallace e Darwin





                                   Nem Darwin nem Wallace estavam presentes. Darwin ficara em sua casa na Inglaterra em luto pelamorte de um filho de febre escarlate; Wallace estava na distante Nova Guiné, caçando borboletas e besouros.

                                         O artigo de Wallace formalmente intitulado "Sobre a tendência das variedades de se diferenciarem indefinidamente do tipo original" foi popularmente chamado de "o artigo Ternate", pelo nome da cidade da Indonésia da qual ele enviou o estudo para Darwin. O artigo foi a primeira explicação completa do processo de seleção natural, que introduziu o conceito da sobrevivência dos mais fortes.

                                          Wallace, que não tinha consciência que seu artigo tinha sido apresentado na Sociedade Linnean, continuou colecionando dados e escrevendo sobre biogeografia, a biologia da ilha, a mudança das marés e a antropologia do arquipélago melanésio, onde passou oito anos produtivos, porém isolados.

                                                 Darwin, membro da elite científica britânica. Wallace, que deixou a escola aos 14 anos e vinha de uma família modesta.

                                                 Darwin era mais velho e mais bem estabelecido. Sem dúvida que vinha pensando sobre a evolução e colecionando dados volumosos, mas até aquele momento ele não tinha publicado uma única palavra sobre o assunto.

                                               Wallace, por outro lado, havia escrito vários artigos sobre a evolução antes do artigo Ternate, inclusive o Sarawak Law de 1855, em que afirmava o princípio hoje o óbvio que "toda espécie chegou à existência coincidentemente tanto no tempo quanto no espaço com uma espécie aliada preexistente".

Quais são as ‗semelhanças‘ entre a teoria da evolução proposta por Wallace e Darwin. Na reunião da Sociedade Linneana, em que realmente consistem, quais das duas apresentaram mais consistências científicas?

Sobre as polemicas das cartas de Wallace à Darwin (capitulo Cartas de Wallace). Independentemente das polemicas que as envolvem, em torno de Darwin, e das suspeitas que recaem sobre ele, ter ser apoderado das ideias de Wallace. Vamos ao quer é realmente objetivo, cientifico:

Os trabalhos de Wallace por ele apresentados jamais estiveram sobre suspeição, e os apresentavam abertamente, e pela a grande admiração que tinha por Darwin (14 anos mais velho que ele) , ao invés de mandar sua analises cientificas para as revistas ou grupos científicos da época, os enviavam a Darwin, acreditava piamente nele, não só como cientista, mas como homem honroso, digno da sua absoluta confiança.

A carta com o manuscrito de Wallace foi postado em Ternate em 9 de março de 1858. Nesse exato momento em que Wallace postou sua carta com o ‗Ensaio sobre a tendência das variedades de se afastarem indefinidamente do tipo original‘. Aqui, ele marcou para sempre seu nome na historia da ‗biologia moderna‘, da historia cientifica.

Naquela época o registro de uma obra era feito através das cartas enviadas entre os pesquisadores das áreas científicas, por publicações em revistas, ou em reuniões oficiais de grupos científicos. Assim, Wallace assina-la seu pioneirismo na publicação da teoria evolução, da seleção natural. ‗Semelhanças‘ em ciência, pode significar um abismo entre as ditas partes ‗semelhantes‘, que é a diferença entre um asno e um cavalo pangaré. Cada acréscimo em uma teoria desenvolve milhares de fenômenos.


Agora, independentemente das polemicas envolvendo as cartas de Wallace à Darwin, se Darwin. Vamos ao cerne da questão:


Como Lyell e Hooker puderam afirmar, na introdução do trabalho conjunto, que Darwin e Wallace haviam chegado independentemente à mesma "teoria engenhosa para explicar a aparição e perpetuação de variedades e formas em nosso planeta", quando isso não era correto?


Ao receber o manuscrito de Wallace, Darwin notificou seus amigos, Charles Lyell e Joseph Dalton Hooker (1817-1811). Eles se encarregaram de apresentar essas contribuições aos membros da Sociedade Lineana de Londres e decidiram a ordem em que seriam apresentadas. 

Eram estas: um apontamento  de Darwin,supostamente escrito em 1839 e copiado depois em 1844; um fragmento da carta que Darwin escreveu a Asa Gray em setembro de 1857; e o trabalho de Wallace  Sobre a tendência das  variedades de se afastarem indefinidamente do tipo original (Darwin; Wallace, 1858), escrito em fevereiro de 1858, em Ternate, nas ilhas Molucas. Desta forma, o ensaio de Wallace ficou no final. Darwin inseriu uma nota esclarecendo que o resumo do ensaio nunca fora escrito para ser publicado e que, portanto, não fora escrito cuidadosamente (o que pode ser notado na leitura). Todavia, como assinala Beddal (1968), o conteúdo dessa nota não era totalmente correto, pois Darwin tinha uma cópia encadernada do mesmo ensaio, com instruções dirigidas a sua esposa para que fosse publicado no caso de sua morte prematura.


Depois da publicação dos resumos de Wallace e do ensaio de Darwin, no Journal da Sociedade Lineana em 1858, Darwin abandonou, em definitivo, a redação de seu big book on species, intitulado Natural Selection, e, nesse mesmo ano começou a escrever febrilmente um novo livro, um resumo de seu big book on species, publicado em 1859, sob o título de Origin of Species

Por fim, ao analisarmos, pormenorizadamente e em separado as contribuições de Wallace e Darwin, na publicação conjunta orquestrada por Hooker e Lyell, podemos observar que o ensaio de Wallace é consideravelmente mais bem escrito e desenvolvido que os resumos de Darwin. Wallace, por exemplo, inicia dizendo que as variedades produzidas em estado de domesticação são muito distintas daquelas que ocorrem em estado natural – uma total oposição ao ponto de vista de Darwin, que acreditava ser o processo de seleção artificial, promovido pela domesticação, uma fiel analogia da seleção natural ocorrida na natureza. Para Wallace, as variedades domesticadas, quando abandonadas, têm uma tendência a reverter à forma normal de sua espécie antecessora.

Deste modo, Wallace rechaçou firmemente a validez dessa analogia. Darwin, como tantos outros naturalistas, havia iniciado por uma consideração dos animais domésticos e por uma analogia com o estado natural; mas fez uma analogia dos resultados conhecidos da seleção de formas domésticas com possíveis resultados de uma força seletiva mais poderosa que ele propunha atuar na natureza.

Wallace também afirmou que "A vida dos animais selvagens é uma luta pela existência" (Darwin; Wallace, 1858, p.54), ou seja, todos devem exercer suas faculdades e energias ao máximo para preservar sua própria existência e de sua prole. Dependendo do grau de êxito de uma espécie, seus membros serão mais ou menos numerosos: "A proporção geral que deve haver em certos grupos de animais é facilmente visível. 

Animais grandes não podem ser tão abundantes como os pequenos; os carnívoros hão de ser menos numerosos que os herbívoros" (ibidem). Apesar da fecundidade, que permitiria que cada espécie expandisse amplamente seu número, é evidente que a população animal do globo deve ser estacionária ou, talvez, pela influência do homem, decrescente (ibidem); é claro que as flutuações se evidenciam por todas as partes. Depois de um simples cálculo, baseado na fecundidade das aves, Wallace concluiu que "é evidente, portanto, que a cada ano um número imenso de seres deve perecer – tantos, de fato, quantos nascem" (Wallace; Darwin, 1858, p.55), isso se a população permanecer em equilíbrio.


Em seguida, Wallace pondera:


O número dos que morrem anualmente deve ser imenso, e como a existência individual de cada animal depende dele mesmo, os que morrem devem ser os mais fracos – os muito jovens, os velhos e os enfermos –, posto que os que prolongam sua existência devem ser os mais perfeitos em saúde e vigor – os mais aptos na obtenção regular de alimento e no evitar seus numerosos inimigos. É, como notamos, uma "luta pela existência", na qual o mais fraco e menos perfeitamente adaptado sempre deve sucumbir. (Darwin; Wallace, 1858, p.56-57).

Em fevereiro de 1858, o naturalista Alfred Russel Wallace encontrava-se na ilha de Gilolo capturando insetos para vender, quando uma doença o impediu de continuar trabalhando. O ofício de entomólogo financiava seu verdadeiro objetivo: levantar dados para fundamentar uma teoria sobre a origem das espécies, motivação que o conduzira da Inglaterra para a floresta amazônica e, naquele momento, para o arquipélago Molucas (região da Nova Guiné, Oceania). Durante o repouso forçado, ele pôs-se a refletir sobre a natureza viva e, subitamente, ocorreu-lhe uma intuição, assim descrita em recordações datadas de 1905:

Naqueles dias eu sofria de um ataque agudo de febre intermitente; todo dia (durante os acessos de frio e posterior calor) tinha de repousar por algumas horas, tempo durante o qual nada tinha a fazer senão pensar sobre alguns assuntos que então me interessavam particularmente. Um dia algo fez-me recordar os Princípios de população, de Malthus, que eu havia lido doze anos antes; pensei em sua clara exposição dos 'impedimentos positivos ao aumento' – doença, acidentes, guerra e fome – que mantêm a população das raças selvagens tão abaixo da média das pessoas civilizadas. Então, ocorreu-me que essas causas (ou suas equivalentes) também estão continuamente agindo no caso dos animais e, como eles usualmente reproduzem-se muito mais rapidamente do que os humanos, a destruição anual devido a elas deve ser enorme para controlar a população de cada espécie (posto que os animais, evidentemente, não aumentam regularmente de ano para ano, pois de outra maneira o mundo de há muito teria sido densamente povoado pelos que procriam mais rapidamente). 

Pensando vagamente sobre a enorme e constante destruição que isso implica, ocorreu-me formular a questão: por que alguns morrem e alguns vivem? E a resposta foi claramente que, no todo, o melhor adaptado vive. ... Então, subitamente me lampejou que esse processo auto-ativo necessariamente melhoraria a raça, porque a cada geração o inferior inevitavelmente seria destruído e o superior permaneceria – ou seja, o melhor adaptado sobreviveria. ... Quanto mais pensava nisso, mais ficava convencido de que eu havia finalmente descoberto a tão buscada lei da natureza que resolve o problema da origem das espécies. Durante a hora seguinte, pensei nas deficiências das teorias de Lamarck e do autor dos Vestígios, e vi que minha nova teoria suplementava essas visões e obviava todas as dificuldades importantes (Correspondence, 7, p. 512).

Estou muito contente devido a uma carta de Darwin, na qual ele diz que concorda com 'quase todas as palavras' do meu artigo. Ele está agora preparando seu grande trabalho sobre 'Espécies e Variedades', para o qual tem coletado material faz vinte anos. Ele pode salvar-me do problema de escrever mais sobre minha hipótese, ao provar que não há diferença na natureza entre a origem das espécies e a das variedades; ou pode trazer-me problemas se chegar a outras conclusões. Mas em todos os casos seus fatos dar-me-ão sobre o que trabalhar (Correspondence, 7, p. 107, n. 2).  Até este ponto, os argumentos de Wallace e Darwin são notavelmente semelhantes. Porém, o seguinte passo lógico de Wallace, claramente, não tem um correspondente na formulação prévia de Darwin (1844), nem tampouco o conceito – muito distinto – expressado em sua carta de 1857 a Asa Gray (1810-1888).

Segundo Wallace, a maioria das variações da forma típica de uma espécie, ou talvez todas, devem ter algum efeito definido – apesar de serem pequenas – sobre os hábitos e capacidades dos indivíduos. Igualmente uma mudança na cor pode, por deixá-los mais ou menos indistinguíveis, afetar sua segurança (Wallace, Darwin, 1858, p.58). Também é evidente que a maioria das mudanças afetará, favorável ou desfavoravelmente, as faculdades ligeiramente ampliadas para prolongar sua existência; essa variedade, inevitavelmente deve, com o tempo, adquirir superioridade numérica (ibidem). Então, em geral,

Todas as variedades se situam, portanto, em duas classes – aquelas que, sob as mesmas condições, nunca alcançarão a população de uma espécie parental, e aquelas que, com o tempo, obterão e manterão uma superioridade numérica. ntretanto, se ocorre alguma alteração das condições físicas em um distrito ... é evidente que, de todos os indivíduos que formam a espécie, aqueles que formam o grupo menos numeroso e a variedade mais deficientemente organizada serão os que sofrerão primeiro, e, se a pressão é severa, deverão extinguir-se logo. (ibidem)uma espécie a outra), o fenômeno sempre possuiu um caráter simples e modesto (apud Papavero& Bousquets, 1994, p. 20).

A ciência moderna evolutiva está cada vez mais concluindo que a evolução pode se comportar de forma muito mais rápida do que propunha Darwin, mas que, como analisado, não descaracteriza como Wallace propôs a evolução natural. No capitulo seguinte veremos como a seleção natural de Wallace está de acordo com as ‗visões modernas‘ da evolução em teorias como, por exemplo, Evo devo, Epigética.

Por fim, se levarmos em conta as diferenças existentes entre os trabalhos de Wallace e Darwin, que bem se podem notar nos escritos de ambos, Wallace poderia ter-se perguntado se Lyell e Hooker compreenderam o que a teoria de cada um afirmava. Se houvessem realmente entendido, certamente não teriam afirmado, na publicação conjunta, que as teorias de Wallace e Darwin eram as mesmas (Brooks, 1984,p.211-212).

Muito se fala que Wallace havia sofrido preconceito pelos os acadêmicos por não ter graduação, porém,  Charles Darwin também não era acadêmico, ambos eram autodidatas. Wallace teve que se afastar dos estudos acadêmicos por causa de questões financeiras, e Darwin, por opção. Então, será que a posição social de Darwin, de sua família e de seus contatos, influenciou na questão?

Darwin conseguiu uma pensão da rainha vitória para Wallace, de cem libras ao ano, alguns autores anti- Darwin, diziam que isso era o que ele gastava com carne em um mês.E que isso seria um ‗cala boca Sócrates‘ em Wallace, é o que dizem ‗as más línguas‘. Seja como for, Wallace era pai de três filhos, e como dizem, ‗um pai faz  (ou deixa de fazer) qualquer coisa por seus filhos‘.

Por fim condensando as seleções naturais de Wallace e Darwin, conforme os dados apresentados entre os trabalhos de ambos no decorrer de seus desenvolvimentos, elas são postas dessa forma:


A seleção natural proposta por Alfred Wallace, afirma que o meio ambiente é ativo no processo evolutivo, que suas divisões conduzem distinções entre espécies, e que na luta pela a existência entre os organismos atuam como selecionadores de caracteres perpetuando os mais aptos a sobreviver em um determinado espaço-tempo.


(Wallace não define uma medida definitiva de tempo)


A seleção natural proposta por Charles Darwin, afirma que na luta pela a sobrevivência entre os organismos, o ambiente atua selecionando os caracteres perpetuando os mais aptos a sobreviver em determinado local. 


(Para Darwin a evolução ocorre através de logos períodos de tempo, e de muitas gerações sucessivas)






Origens da Vida, Amazon, fevereiro de 2021, Edson X 


 










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