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Neurocientista

 conhece o papel do sono no 

De acordo a equipe do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade de Estocolmo [1], músculos bem treinados têm níveis mais elevados de uma enzima que ajuda a metabolizar uma substância química do estresse chamada quinurenina. A quinurenina e seus metabólitos participam de funções biológicas essenciais à sobrevivência, como a dilatação dos vasos sanguíneos durante os processos inflamatórios e a organização da resposta imunológica. O aumento da produção de quinurenina pode precipitar sintomas depressivos.

A descoberta sugere que exercitar seus músculos realmente ajuda a livrar o corpo de produtos químicos resultantes do estresse que podem levar à depressão. De acordo com Agudelo (2014) [1]: "Nossa hipótese de pesquisa inicial era de que músculo treinado iria produzir uma substância com efeitos benéficos sobre o cérebro. Na verdade encontramos que o músculo bem treinado produz uma enzima que limpa o corpo de substâncias nocivas. Assim, a função do músculo seria uma reminiscência das funções do rim ou do fígado".

De que forma o estresse causado por uma atividade física pode ser benéfico para o cérebro?

O que faz com que o estresse induzido pelo exercício seja diferente do estresse desencadeado por eventos negativos de vida é que, em contraste com (mau) estresse psicológico, o estresse físico (bom) está associado com o aumento da inativação do cortisol, aumento da síntese de anandamida, uma substância do sistema canabinóide que atua na regulação de várias atividades do sistema nervoso central, aumento do BDNF, (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro) que tem uma função de neurogênese, além do aumento da serotonina. O exercício aeróbico modula hormônios, níveis de neurotransmissores e endocanabinóides, o que não acontece quando somos acometidos por estresse psicológico.

Há evidências sugerindo que o aumento dos níveis de anandamida durante o exercício pode ser um dos elementos-chave para o incremento de BDNF, que exerce efeitos benéficos sobre a cognição através da sua capacidade de aumentar a neurogênese, plasticidade sináptica e potenciação a longo prazo, a base de aprendizagem (Leckie et al., 2014) [2].

Como explicar a sensação prazer que alguns indivíduos têm depois de realizarem atividade física prolongada?

A sensação de prazer após atividade física está relacionada com a liberação de endorfinas, os opióides endógenos. Quando você pensa da palavra "opióides", pode associar com drogas viciantes como o ópio ou a morfina. Mas seu corpo também produz suas próprias versões desses produtos químicos (chamados "endógenos" ou produzidos dentro de um organismo), geralmente em resposta a momentos de estresse físico. Opióides endógenos podem ligar-se aos receptores opióides no cérebro, que afetam todos os tipos de sistemas. A ativação dos receptores opióides podem ajudar a neutralizar a dor, algo que certamente está presente no final de um longo treino. Receptores opióides também podem atuar em áreas relacionadas com a recompensa, como o estriado e núcleo accumbens. Lá, eles podem aumentar a liberação de dopamina, fazendo o exercício físico vigoroso mais agradável. (Boecker et al., 2008) [3].

Além disso, há indícios de que os endocanabinóides, aumentam a liberação de endorfinas no hipotálamo. Os endocanabinóides são sintetizados tanto no sistema nervoso central, como perifericamente, onde eles se ligam ao receptor de canabinóides tipo 1; (Crosby e Bains, 2012) [4]. Uma única sessão de treino de resistência a 70-80% da capacidade máxima da frequência cardíaca fornece o aumento significativo de endocanabinóides (Raichlen et al., 2013) [5], persistindo por alguns dias depois da execução da atividade física. Existe uma elevada densidade de receptores canabinóides no córtex frontal, amígdala, hipocampo, hipotálamo, as áreas cruciais para a manutenção do equilíbrio emocional.

A atividade física pode melhorar a performance na escola?

Castelli et al (2007) [6] realizaram um estudo com 259 alunos do 3º e do 5º ano em outro distrito escolar americano também e correlacionou de forma positiva a forma física (medida como resultado de aptidão física derivada da prática frequente de exercícios) com performance acadêmica. A partir deste estudo, tentou-se determinar quais as variáveis estavam em jogo mais precisamente.

O que se verificou foi que, primeiramente, o componente de atividade física correlacionado com ganhos acadêmicos foi principalmente o componente aeróbico, ou seja, quem praticava mais atividade aeróbia ia melhor na escola.


Como isso se dá? Supõe-se que as crianças com bom condicionamento físico devido a exercícios aeróbicos (correr, nadar, andar de bicicleta, etc.) apresentem melhora também na performance neurofisiológica e comportamental alocando os recursos de atenção e memória de trabalho de forma mais eficiente, sendo mais habilidosas em discriminar estímulos – capacidade importante na solução de problemas e compreensão de informação.

Como a atividade física pode ajudar a manter a cognição na vida adulta e no envelhecimento?

Ratey e Loehr (2011) [7], da Universidade de Harvard, através de um estudo de revisão, examinaram os mecanismos pelos quais a atividade física melhora a cognição. Revisaram estudos que avaliam os efeitos da atividade física sobre o desempenho das funções executivas mais tarde na vida. Os autores concluíram que a atividade física é fundamental para preservar as funções executivas como a capacidade de planejar e priorizar tarefas. A capacidade controlar os impulsos e a memória operacional também são ativadas com o exercício físico, e podem representar um ganho importante frente ao envelhecimento.

De fato, umas das consequências do envelhecimento é o declínio do sistema nervoso central, acarretando na lentidão de respostas motoras, cognitivas e de função executiva em idosos (Rodrigues & et al, 2010) [8]. Este fenômeno coloca muitos idosos em situações de dificuldades para lidar com as demandas cotidianas como dirigir de forma segura, andar na rua ou em casa de forma atenta a não se expor a riscos de, por exemplo, tropeçar, e compreender instruções como as de como seguir um tratamento médico. Segundo os autores [8] “as pessoas idosas possuem uma maior dificuldade em fazer uso da informação sensorial, em detectar e corrigir erros, e em controlar as ações motoras quando se deparam com exigências do ambiente em que vivem”. Em seu estudo sobre o tempo de reação simples e o tempo de antecipação, em idosos praticantes e não praticantes de atividade física, os autores concluem que os praticantes de atividade física tiveram resposta significativamente mais rápida na tarefa apresentada do que os que não praticavam atividade física.


A atividade física pode ajudar em transtornos mentais?

Lourenço et al (2015) [9] realizaram uma revisão bibliográfica para investigar a eficácia de programas de intervenção motora em diversos sintomas relacionados com pessoas com Autismo e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. Dezoito estudos foram analisados cujas “intervenções pretenderam beneficiar o comportamento agressivo e estereotipado, funcionamento social, resistência, qualidade de vida e stress, aptidão física e resistência”. Os resultados positivos abrangem diversas áreas, entre elas, foram observadas melhorias em funções executivas, redução do comportamento estereotipado e inadaptado e melhora na atenção e no desempenho acadêmico.

Concluindo, a atividade física tem sido apontada como um importante coadjuvante no tratamento dos transtornos mentais, devido a seu efeito de regulação hormonal, equilíbrio de neurotransmissores, síntese de endocanabinóides, além do aumento de proteínas que aumentam a neurogênese.

Todos os transtornos mentais podem ser beneficiados por uma prescrição regular de atividade física com um especialista na área de educação física. O trabalho em conjunto com a equipe de psicólogo e psiquiatra produz melhores resultados.

É importante apontar os exercícios são considerados formas terapêuticas coadjuvantes para o tratamento e prevenção da saúde física e mental como um todo. Não é a prática de esportes que sozinha promove o desenvolvimento cognitivo, mas junto das outras medidas específicas pode acelerar, manter e auxiliar os tratamentos de saúde mental.

Considerando os benefícios para a saúde citados nos diversos estudos e documentos, é alarmante notar que, segundo a Organização Mundial da Saúde [10], em 2010, 23% dos indivíduos de 18 anos ou mais apresentava níveis de atividade física abaixo dodequado.


Plenamente.


Como emoções são construídas e desconstruídas

Por Michele Müller

Seriam as emoções construções sociais ou universais e pré-programadas?

autor desconhecido, de Mr. Punch at the Play

Apesar de não haver consenso entre os pensadores – Descartes entre eles – que refletiram sobre quantas e quais emoções são consideradas básicas, o senso comum sempre nos fez acreditar que são universais e que todos os seres humanos são pré-programados a senti-las. Rostos felizes, tristes e preocupados são facilmente identificados em qualquer cultura, o que foi sido comprovado em pesquisas, sendo as conduzidas por Paul Ekman na década de 70 as mais difundidas. Então a neurociência passou a investigar o assunto de forma mais objetiva, a partir de imagens do cérebro e outras informações.

Foi o que fez a neurocientista canadense Lisa Barrett durante duas décadas.  Após centenas de pesquisas com neuroimagens e análises de estudos das emoções, concluiu que nossa intuição está essencialmente errada: as emoções não são necessariamente universais e a interpretação das expressões evocadas por elas pode ser considerada pouco confiável. Investigações lideradas por Barrett mostram que uma mesma expressão facial pode representar emoções distintas e, portanto, é extremamente dependente do contexto e até mesmo da cultura para ser identificada.

Em seu livro “How Emotions Are Made” ela defende que não existe um circuito neural pré-programado para processar as emoções complexas. Elas seriam construções do cérebro baseadas em predições, assim como acontece com toda a aprendizagem e leitura de mundo.

Para que possa interpretar um estímulo, bem como um sentimento, o cérebro recorre a experiências anteriores e prediz o que está acontecendo. Trancado na caixa escura do crânio, para que possa dar sentido de forma ágil às informações que recebe e integra, ele preenche lacunas e fabrica os detalhes a partir do que já vivenciou. Qualquer novo conhecimento interfere na construção de sentido feita pelas predições. Assim, quando olhamos para o rosto de alguém, predizemos o que está acontecendo ou o que vai acontecer, o que o outro sente ou a emoção que determinado estímulo irá provocar com base nas nossas experiências anteriores. Essas previsões são aprendidas de acordo com o ambiente e nas interações sociais.

Isso não significa que não existe uma base

Isso não significa que não uexiste uma base emocional inata comum a todos os seres humanos. Mas é preciso distinguir os fenômenos psicológicos mais complexos daqueles que são reguladores dos processos biológicos essenciais para a manutenção da vida, como o conforto e desconforto, o prazer e o desprazer – motivadores da busca por oportunidades e prevenção contra ameaças, que dividimos com todas criaturas com sistema nervoso.

Na visão de Barrett, esses conceitos são sentimentos simples que acompanham os processos fisiológicos e atuam como um reflexo do que está acontecendo no corpo. Mas não dizem muito sobre o que está acontecendo no mundo de fora. Tais detalhes são aprendidos socialmente para que o cérebro construa sentimentos complexos, como ansiedade, frustração, alívio, remorso, encantamento, fascínio e até felicidade.

A ideia de que a emotividade não é um processo fixo e sim fluído e adquirido, é também defendida pelo neurocientista português Antônio Damásio em seu mais recente livro “A Estranha Ordem das Coisas”: “Ao que parece, a maquinaria dos nossos afetos é educável, até certo ponto, e boa parte daquilo a que chamamos de civilização ocorre através da educação dessa maquinaria no ambiente da nossa infância, em casa, na escola, e no ambiente cultural”.

Essas conclusões podem significar mais que uma mudança na forma como as emoções são compreendidas e explicadas. A ideia de que são construídas indica, segundo Barrett, que também podem ser desconstruídas e modificadas a partir da autoconsciência. Podemos ser o que ela chama de “arquitetos das próprias emoções”, ao perceber o que nos provoca determinadas respostas emocionais negativas.

Não significa que isso seja simples, pois não temos acesso consciente às circunstâncias e situações que formaram o enorme arsenal emotivo que guia nosso comportamento. Esse ganho de controle é um exercício diário, que envolve a identificação da emoção e o reconhecimento de que é fluída, está relacionada a situações sociais inconstantes e muitas vezes a necessidades fisiológicas também impermanentes.


Barrett lembra em seu livro, que o corpo não pode ser esquecido quando falamos em processos mentais. Assim como envolvem o contexto social, as emoções envolvem também movimentos fisiológicos aos quais não damos atenção e que podem explicar grande parte das mudanças de humor. Fazemos isso quando cuidamos de crianças pequenas e com o tempo passamos nos considerar “seres racionais” e a tratar corpo e mente de forma separada – uma separação que nunca acontece. Prestar atenção em necessidades como sono, cansaço, incômodo físico, fome, alterações hormonais nos ajuda a entender determinadas reações e a mudar as circunstâncias que promovem emoções negativas. Nomear as emoções, como veremos na próxima coluna, é outra forma de trabalhar a inteligência emocional.

Não precisamos ser reféns dessas emoções e agir sempre de acordo com elas: é possível, como já disse o filósofo Viktor Frankl, aproveitar o espaço entre estímulo e reação – um espaço que representa nossa liberdade e crescimento – para reconhecer a possibilidade de escolhas e assumir o controle sobre as ações.




Como você pode controlar suas emoções:



“Nossa teoria de emoções construídas trabalha com a hipótese de que “raiva”, “tristeza”, “medo”, e eventos mentais similares não são blocos de construção básicos na mente, mas eventos mentais que resultam da interação dinâmica de mais redes básicas do cérebro (não) específicas para a emoção.” – Lisa Feldman Barrett, Ph.D.

Lisa Feldman Barrett é uma mulher brilhante. Neurocientista e professora da Harvard Medical School, ela pode muito bem tornar-se conhecida como a mulher que revolucionou a inteligência emocional.

Em seu livro “How Emotions AreMade: The Secret Life of the Brain”, Dra. Barrett mostra uma teoria potencialmente inovadora, que ela chama a Teoria da Emoção Construída. Na verdade, seu desafio bem-sucedido do “status quo emocional” já está tendo um impacto considerável em vários campos: psicologia, medicina, direito, e meditação entre eles.

Este artigo se destina a explicar – nos termos mais simples possíveis – o importante trabalho de Dra. Barrett, e como suas descobertas nos permitem identificar, compreender e regular nossas emoções!

O que são emoções?

“Você pode pensar que na vida cotidiana, as coisas que você vê e ouve influenciam o que você sente, mas é principalmente o contrário”, explica Dra. Barrett.

É difícil definir o que constitui uma emoção, não é? De onde uma emoção “vem?” Por que ficamos felizes, tristes, irritados, frustrados, com medo, etc.? Na verdade, as emoções parecem automáticas e incontroláveis ​.

Será que são? As emoções podem ser controladas? Se sim, como?

Durante anos, muitos cientistas têm explicado (ou tentado racionalizar) que as emoções são simplesmente “programadas” em nosso cérebro e corpo – um fenômeno de processos biológicos subjacentes. Esta visão “clássica” remonta a cerca de 2.500 anos atrás, ao tempo de Platão.

Esta antiga teoria não é certa para alguns psicólogos e outros cientistas, incluindo Dra. Barrett, cuja pesquisa “subverte a convicção generalizada de que as emoções são abrigadas em diferentes partes do cérebro … (mostrando) que a emoção é construída no momento, por sistemas centrais que interagem em todo o cérebro, ajudados por uma vida de aprendizagem.”

Para avançar suas descobertas, Dra. Barrett fundou o Laboratório de Ciência Interdisciplinar Affective em Boston, Massachusetts. As pesquisas e publicações de Barrett logo se tornaram um sucesso notável.



Descobertas de Barrett

“… o que você sente altera a sua visão e audição. Interocepção é mais influente para a percepção, e como você age, do que o mundo exterior.”

Interocepção é “a representação do seu cérebro de todas as sensações de seus órgãos internos e tecidos, os hormônios no sangue, e seu sistema imunológico.” É um sistema sensorial responsável por detectar respostas internas de regulação – digestões, frequência cardíaca, fome, respiração.


Dra. Barrett Esclarece: “Basicamente, o seu cérebro está processando sensações internas e externas ao mesmo tempo, e interpretando tudo. Emoção é isso.”

Em termos mais simples: as emoções não são apenas um processo biológico. As emoções são o subproduto de cerca de 90 bilhões de neurônios e centenas de trilhões de sinapses. Centenas de trilhões de sinais elétricos estão disparando em nosso cérebro rapidamente.

“O que vemos, ouvimos, paladar, tato e olfato,” Dr. Barrett explica “são simulações do mundo, e não reações a ele.” Ela relata esta conclusão a uma verdade quase universal “Você não anda sendo surpreendido o tempo todo. ”

Para avançar suas descobertas, Dra. Barrett fundou o Laboratório de Ciência Interdisciplinar Affective em Boston, Massachusetts. As pesquisas e publicações de Barrett logo se tornaram um sucesso notável.



Descobertas de Barrett

“… o que você sente altera a sua visão e audição. Interocepção é mais influente para a percepção, e como você age, do que o mundo exterior.”

Interocepção é “a representação do seu cérebro de todas as sensações de seus órgãos internos e tecidos, os hormônios no sangue, e seu sistema imunológico.” É um sistema sensorial responsável por detectar respostas internas de regulação – digestões, frequência cardíaca, fome, respiração.


Dra. Barrett Esclarece: “Basicamente, o seu cérebro está processando sensações internas e externas ao mesmo tempo, e interpretando tudo. Emoção é isso.”

Em termos mais simples: as emoções não são apenas um processo biológico. As emoções são o subproduto de cerca de 90 bilhões de neurônios e centenas de trilhões de sinapses. Centenas de trilhões de sinais elétricos estão disparando em nosso cérebro rapidamente.

“O que vemos, ouvimos, paladar, tato e olfato,” Dr. Barrett explica “são simulações do mundo, e não reações a ele.” Ela relata esta conclusão a uma verdade quase universal “Você não anda sendo surpreendido o tempo todo. ”

O segredo.


A TEORIA RADICAL SUPERA O ANTIGO MODELO DE COMO AS EMOÇÕES SÃO FEITAS. Outro

Em seu novo livro, a professora de psicologia Lisa Feldman Barrett propõe uma nova teoria radical das emoções.


O modelo clássico de emoção é mais ou menos assim: você nasce com um conjunto inato de emoções - felicidade, tristeza, raiva, medo. Você sente essas emoções ao perceber um estímulo. Isso aciona um circuito em seu cérebro. Isso causa uma resposta corporal, que faz com que você se comporte de uma certa maneira

Isso é tudo errado, diz Lisa Feldman Barrett, autora e professora de psicologia da Northeastern University. Em seu último livro, ' Como as emoções são feitas, 'Barrett sintetiza pesquisas da neurociência, biologia e antropologia para construir uma nova teoria radical da emoção.

De acordo com Barrett, as emoções não são reações ao mundo. Em vez disso, as emoções na verdade construir nosso mundo. E isso acontece por causa de interocepção

interocepção é nossa percepção da condição fisiológica de nossos corpos. Esse sentido monitora nossos processos internos e envia atualizações de status ao cérebro. Essas atualizações vêm em quatro sinais rudimentares: agradável, desagradável, excitação e calma. As emoções, afirma Barrett, são formadas a partir da tentativa do cérebro de faz sentido fora desses dados brutos. O cérebro faz isso pegando os dados brutos e filtrando-os por meio de nossas experiências anteriores - por meio de nosso conceitos aprendidos .

IssoA partir de um estudar que pedia aos participantes para interpretar emoções através da visualização de expressões faciais.) significa emoções não são reflexões objetivas sobre eventos no mundo . Barrett elaborou em um episódio recente do NPR's Sempre podcast:

“Para cada categoria de emoção que temos nos Estados Unidos que pensamos ser biologicamente básica e universal, há pelo menos uma cultura no mundo que não possui um conceito para essa emoção e onde as pessoas realmente não sentem essa emoção. ”

O mesmo conceito se aplica à visão, sugere Barrett, observando casos em que pessoas cegas que tiveram danos na córnea desde o nascimento permaneceram cegas por algum tempo após receberem os

Eles não veem por dias e às vezes semanas. E às vezes há anos há coisas que eles não podem ver porque não têm conceitos. Seu cérebro não tem experiência visual anterior para dar significado às sensações visuais que recebem.

... Poderíamos imaginar, a partir da visão clássica, que eles seriam capazes de ver tudo, mas eles

principal implicação da teoria de Barrett é surpreendente e um tanto libertadora: temos muito mais controle e responsabilidade sobre nossas emoções do que se pensava anteriormente. Os conceitos que acumulamos, conscientemente ou não, podem ser aprendidos e desaprendidos. De acordo com a teoria, você tem o poder de mude fundamentalmente sua experiência de emoção .

A teoria de Barrett tem um porém. Se Barrett estiver correto, o que a sociedade deve dizer àqueles que sofrem de, digamos, PTSD? Para sentar e aprender alguns novos conceitos? Barrett disse:

“Vejo o risco no que estou dizendo - certo? - mas ciência é ciência. E temos que - eu sinto que é necessário chamar a atenção das pessoas para o que a ciência tem a dizer. E no contexto adequado na sociedade, na cultura, as pessoas podem debater as consequências. Mas eu acho, você sabe, eu acho que é muito perigoso tratar as coisas como objetivas quando elas não são. ”

ATÉ MESMO UM MACACO: CONTANDO UMA BOA ARTE ABSTRATA A PARTIR DE UMA MÁ

Caminhe por uma galeria de arte moderna e provavelmente ouvirá comparações entre as obras-primas na parede e as pinturas infantis de crianças. Mas um novo estudo prova que as pessoas realmente podem dizer a diferença entre os mestres

“Eu poderia pintar isso!” Ou “Até um macaco poderia pintar isso!” Passeie por qualquer museu ou galeria que contenha arte abstrata moderna e provavelmente ouvirá sentimentos semelhantes daqueles que pensam pouco na arte abstrata e daqueles que a fazem. Não há diferença entre as pinturas vendidas por milhares e às vezes milhões e as pinturas a dedo de crianças no jardim de infância, ou assim o argumento continua. Um estudo recente publicado por dois psicólogos argumenta contra essa ideia, mostrando estatisticamente que as pessoas podem dizer quando uma pintura abstrata é feita por um ser humano adulto. O experimento pediu a pessoas com nenhum, pouco ou muito conhecimento de arte para distinguir as obras de um pintor humano adulto encontrado em um livro de história da arte de obras de arte de uma criança humana, um gorila, um chimpanzé, um elefante e, sim, até mesmo um macaco

Vendo a mente por trás da arte: as pessoas podem distinguir pinturas expressionistas abstratas de pinturas muito semelhantes de crianças, chimpanzés, macacos e elefantes” por Angelina Hawley-Dolan do Departamento de Psicologia do Boston College e Ellen Winter do Projeto Zero em Harvard Escola de Pós-Graduação em Educação apareceu na edição de março de 2011 da Ciência Psicológica . Eles pediram a 72 estudantes de graduação - 40 formados em psicologia e 32 em estúdio de arte - que olhassem para duas imagens lado a lado e dissessem qual delas era de um mestre humano. “Combinamos pinturas profissionais e não profissionais de acordo com vários 

Os psicólogos mostraram os primeiros 10 pares sem rótulos, seguidos por 20 pares com rótulos como “artista” ou “macaco” que estavam deliberadamente incorretos na metade do tempo. 'Qual você gosta mais? Por que?' os psicólogos então perguntaram aos alunos de graduação. “Qual imagem você acha que é a melhor obra de arte? Por que?' Essas questões separavam preferências (“curtir”) de julgamentos (“melhor”), o que é realmente o problema quando as pessoas fazem o clássico “Até mesmo um macaco ...” crack. Os formandos não artísticos preferiram os artistas 56% das vezes, enquanto os especialistas em arte os preferiram 62% das vezes. Quando se tratava de julgar o que era arte (ou seja, 'melhor'), os formadores não artísticos escolheram os artistas em 65,5% do tempo, apenas ligeiramente superados (67,5%) pelos especialistas em arte. “No domínio estético”, concluíram os pesquisadores, “as pessoas podem reconhecer que uma obra é boa, mas ainda assim não gostam dela”. Em outras palavras, as pessoas podem não gostar de arte abstrata, mas ainda podem dizer quando ela pertence a um museu e a um jardim de infância ou zoológico. (Você pode fazer uma versão do teste aqui .)

Confesso que nem sempre “pego” arte abstrata. Eu posso ficar na frente de um turbilhão, tumultuado Pollock e ser hipnotizado. Mesmo na reprodução, certas obras de Rothko toque-me profundamente apenas pelos contrastes de cores. E, no entanto, por algum motivo, simplesmente não consigo obter Cy Twombly. Trabalhos como o dele Sem título (cenas de um casamento ideal) (mostrado acima) não me diga nada, independentemente de quanto tempo eu ouço. Certa vez, passei quase uma hora no Museu de Arte da Filadélfia Galeria dedicada às 15 partes de Twombly Cinquenta dias em Illiam na esperança de que a imersão total em sua linguagem visual me permitisse falar isso, como morar em Paris por um ano para aprender francês. Ainda não sei falar Twombly, mas aceito que ele é importante para a história da arte, não apenas porque os especialistas dizem, mas porque ele está fazendo algo incomum e impressionante, mesmo que não soe bem para mim .


Estou feliz que os psicólogos moldaram seu estudo da maneira que fizeram. Você simplesmente não pode quantificar o que as pessoas gostam. É um exercício infrutífero. Você pode, e eles fazem, perguntar às pessoas o que é melhor e o que não é na arte. Em 1964, o juiz da Suprema Corte Potter Stewart Famosamente disse isso ele soube da pornografia quando a viu . Este estudo ajuda os amantes da arte a argumentar que as pessoas, mesmo aquelas que não gostam de arte abstrata, reconhecem a arte quando a vêem. A evidência é clara, mesmo para um macaco.

Imagem: Cy Twombly. Sem título (cenas de um casamento ideal) , 1986. Oilstick; óleo e aquarela sobre papel 52 x 72 cm. (20,5 x 28 pol.). Cy Twombly.]


Hélio Schwartsman

SÃO PAULO

Emoções são uma construção social. Essa é, numa frase, a tese central de Lisa Feldman Barrett em "How Emotions Are Made" (como são feitas as emoções). Não haveria nada de surpreendente se Barrett fosse professora em algum departamento de estudos de gênero, mas ela é uma neurocientista "mainstream" e afirma que suas conclusões estão amparadas em sólida evidência empírica.

O ponto forte do livro é justamente a parte em que Barrett mostra que há problemas nos modelos tradicionais que fazem com que cada emoção corresponda à ativação de um circuito neural específico. Por esse paradigma, emoções seriam universais e teriam uma assinatura biológica inconfundível.

O problema, diz Barrett, é que ela passou anos num laboratório em busca dessas assinaturas e não as encontrou. Não temos dificuldade para reconhecer a emoção medo num ator fazendo uma careta estereotipada, mas isso não passa de uma convenção cultural. Nem todos que sentem medo apresentam as mesmas expressões faciais e nem sequer os mesmos sinais fisiológicos.


partir daí —e essa é a parte em que o livro fica aquém do que promete—, Barrett conclui que o modelo tradicional está errado e propõe outro no qual as emoções são construídas "top down" pelo cérebro no instante em que ele classifica as sensações positivas ou negativas que experimenta. A cultura e a própria linguagem seriam parte indispensável desse processo.

Minha impressão é que Barrett foi com muita sede ao pote. Seus achados fragilizam as versões mais fortes do p. tradicional, mas não bastam para pôr abaixo um edifício construído com a colaboração da maior parte dos filósofos ocidentais, do próprio Charles Darwin e de um número ainda maior de neurocientistas contemporâneos. Até pode ser que Barrett tenha razão, mas ainda é cedo para decretá-lo.folha são 




Em um experimento publicado em 1995, duas centenas de indivíduos estavam sobre esteiras que começavam a se mover quando um eletroencefalograma detectava que começavam a ter sono. No final da esteira havia um balde cheio de água. Nos casos mais extremos, foram privados de 99% do tempo de sono. Após alguns dias começaram a comer compulsivamente e, entretanto, perdiam peso. Seu ritmo metabólico havia disparado a 200% e tinham úlceras na pele. Seu sangue tinha níveis anormais de neurotransmissores e hormônios, como a noradrenalina e a tiroxina. Duas ou três semanas depois, todos morreram. A pesquisa foi feita com ratos de laboratório, evidentemente, mas mostra que não se pode viver sem dormir. A ciência está achando mais complicado saber para que o sono serve.


revista Science publicou na semana passada uma série de artigos com as últimas coisas que se sabe sobre o sono. Umas das verdades científicas é a universalidade da necessidade de dormir. Que um animal feche os olhos e entre em um estado de inconsciência que o expõe aos perigos da noite não parece uma boa ideia. De modo que, do ponto de vista evolutivo, alguma função essencial deve ter. Há poucas espécies que são capazes de dormir não completamente, como os golfinhos, que relaxam um hemisfério cerebral, fechando o olho desse lado, enquanto o outro continua aberto e acordado. Outros, como as fragatas pelágicas, são capazes de voar dormindo durante dias. Mas a maioria precisa de um número determinado de horas e, se não as tiver nessa noite, as terá na próxima, com maior duração e intensidade.


Não se pode fazer experimentos tão extremos com os humanos como o que inicia este artigo. De fato, já não podem ser feitos sequer com animais. Mas com os realizados, enquanto as normas éticas eram menos exigentes, a conclusão geral é que a privação do sono tem um impacto generalizado no organismo, das capacidades cognitivas ao modo de caminhar.

Evolutivamente, parece que o sono se preserva muito bem, o que implica uma função básica essencial à vida”
Nick Franks, professor do Imperial College de Londres

Estudos em ratos, por exemplo, demonstraram que os que ficavam sem dormir eram incapazes de lembrar como chegar ao local em que horas antes conseguiram comida. Outro trabalho, com humanos, demonstrou no ano passado que o tempo de reação ao volante era maior nos que não haviam dormido na noite anterior do que entre os que superavam a taxa permitida de álcool. Uma pesquisa, essa correlacional, revelou meses atrás que a incidência de demência entre 8.000 funcionários britânicos quando se aposentaram era maior entre os que reconheceram ter dormido seis horas ou menos nas décadas passadas. Outro trabalho, esse do MIT, demonstrou na semana passada que os estudantes que dormiam menos tinham um caminhar pior em uma esteira ergométrica. E há estudos com roedores que demonstraram que deixá-los sem dormir debilita seu sistema imunológico.

O professor do Imperial College de Londres Nick Franks, que participou dessa edição especial da Science, diz que a necessidade de dormir deve ter uma base biológica muito forte. “Evolutivamente, parece que o sono se preserva muito bem, o que implica uma função básica essencial à vida. De modo que, quando nos privamos de sono, todo tipo de coisas relacionadas com nossa saúde e nosso comportamento são prejudicadas. Qual é o mecanismo básico que rastreia quão cansado está o cérebro e quando o sono deve ser ativado continua sendo um grande mistério”, diz.


sabemos mais do mal causado ao cérebro ao não dormir do que os benefícios de fazê-lo. É um dos paradoxos da ciência do sono: as provas sobre as consequências negativas da privação do sono se acumularam, mas há mais hipóteses do que evidências sobre as vantagens de uma boa noite dormindo. A resposta mais simples e habitual é que, como outras partes do corpo, o cérebro precisa descansar após um duro dia recebendo todos os tipos de estímulos. O problema com essa analogia é que a atividade cerebral não cessa quando se dorme, só é diferente.

O cérebro ensaia durante o sono o que aconteceu na vigília. Acreditamos que esse processo de reativação permite o reforço gradual das lembranças ao longo do tempo”
Gabrielle Girardeau, pesquisadora do Instituto Fer à Moulin (Paris, França)

A pesquisadora Gabrielle Girardeau, do Instituto Fer à Moulin (Paris, França), é a autora do experimento com os ratos que se esqueceram de onde ir para procurar comida. “Nos seres humanos sabemos que a falta de sono é prejudicial às recordações. Nos animais, essa privação também afeta a consolidação da memória”, diz por e-mail. E sabendo o efeito negativo de não dormir, assinala o positivo de fazê-lo. Girardeau lidera um laboratório centrado em como o sono fixa o que aprendemos.

“Basicamente, o cérebro ensaia durante o sono o que aconteceu na vigília”, comenta a cientista francesa. “Acreditamos que esse processo de reativação permite o reforço gradual das lembranças ao longo do tempo. Particularmente, o hipocampo, que é uma estrutura crucial à memória de eventos contextualizados (o que, onde, quando ocorreu), reativa padrões neuronais de vigília durante o sono, em eventos curtos coordenados chamados ondas [ripples no original em inglês]”. Foi nas ripples que a equipe de Girardeau interferiu para que os ratos não lembrassem. “Essas ondas ajudam a fortalecer a marca das recordações e também permitem que o hipocampo se comunique com outras partes do cérebro, como o córtex e a amígdala, para associar, por exemplo, um valor emocional a uma lembrança e para transferir seus detalhes ao córtex para seu armazenamento a longo prazo”, detalha. E tudo isso não pode ser feito acordado com os estímulos do exterior não parando de chegar.

consolidação das recordações não é a única missão do sono, mesmo sendo a melhor demonstrada. Laura D. Lewis é especialista em neuroimagem no Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade de Boston (Estados Unidos). “Aneurociência do sono demonstrou que não há uma razão única pela qual dormimos: o sono tem efeitos incrivelmente amplos no cérebro e afeta tudo, dos processos moleculares à cognição de altonível”, diz.

Uma área recente de pesquisa, em que Lewis trabalha, está demonstrando que uma das funções de dormir é tirar o lixo do cérebro. “Estudos com roedores demonstraram que são eliminados vários metabolitos durante o sono”, diz Lewis. “Muitos desses metabolitos são gerados pelos neurônios durante a vigília, quando produzem diversos tipos de moléculas de forma natural enquanto consomem energia e realizam suas funções habituais. É o caso da beta amiloide, que se ficar acumulada e se juntar, aparece relacionada à doença de Alzheimer”, acrescenta.

Observaram um processo duplo: durante o sono, os dejetos da atividade cerebral são evacuados pelo líquido cefalorraquidiano e o fluido intersticial, ao mesmo tempo em que os neurônios produzem menos dejetos do que estando acordados. É como nos grandes edifícios de escritórios, a limpeza é feita de noite, quando os outros trabalhadores não estão. Nesse sentido, o sono manteria a saúde fisiológica neuronal.

Se dormir, portanto, tem tantos benefícios, por que se dorme tão pouco e mal? Heather Schofield é cofundadora do Laboratório de Desenvolvimento da Conduta da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos) e pesquisa as dimensões sociais do sono. “A maioria dos estudos de laboratório demonstraram os efeitos positivos do sono”, diz. Mas em sua contribuição ao especial da Science também lembra que os indivíduos, por necessidades profissionais e pessoais, podem preferir dormir menos. “Algumas pessoas podem decidir que vale a pena fazer concessões e dormir menos do que o recomendado pelos especialistas”.

Na Espanha, a média de tempo que os adultos dormem é de sete horas. O médico Javier Puertas, vice-presidente da Sociedade Espanhola do Sono (SES), lembra que um terço dos idosos dorme menos do que essa quantidade, existindo também uma clara diferença entre campo e cidade, em que os moradores urbanos dormem pior. “O sono tem uma imagem de atividade improdutiva. Há certa mitologia de que os inteligentes, produtivos, os bem-sucedidos dormem menos”, diz Puertas. Além disso, em países como esse, os horários tardios não ajudam e o uso de telas piorou as coisas. “Há 80 transtornos do sono reconhecidos”, diz Puertas, que finaliza com uma pergunta: “Alguém se lembra de Un globo, dos globos, tres globos? [Era um programa infantil da RTVE da Espanha dos anos setenta] Mandava as crianças para a cama às oito da noite. Que criança se deita a essa hora hoje?”.

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Adilson Roberto Gonçalves e Eduardo Cezar Bento

Otempo não é o mesmo para todos. Diversos organismos, de bactérias a mamíferos, possuem um sistema interno, endógeno, que organiza as atividades celulares, bioquímicas e comportamentais durante um período de aproximadamente 24 horas. Segundo a cronobiologia – ciência que estuda a organização temporal de todos os seres vivos – essas manifestações diárias são produzidas pelo chamado relógio biológico.

A periodicidade desses ritmos biológicos equivale aproximadamente aos ciclos diários de claro/escuro. Porém, também há ritmos com períodos inferiores a 20 horas, ou ritmos ultradianos (respiração, batimentos cardíacos, disparos de neurônios), e ritmos cujo período é superior a 28 horas, os infradianos (ciclo menstrual, ciclo sazonal climático, reprodução).

Entende-se hoje que os ritmos biológicos, tais como os observamos na natureza, são o resultado da interação entre relógios biológicos endógenos e fatores ambientais externos aos quais os organismos estão submetidos.

A dinâmica do relógio biológico já é conhecida desde os anos 1980, a partir de resultados com experimentos com moscas, mas somente em 2017 um prêmio Nobel de medicina e fisiologia foi concedido para essa área, tendo sido contemplados os norte-americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young.

Stela Virgilio, doutora em biotecnologia, pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, explica que os ritmos biológicos, ou também conhecidos como ritmos circadianos, são coordenados de acordo com o ambiente, e têm como objetivo limitar as atividades em um determinado momento do dia, permitindo que o metabolismo e o comportamento sejam adequados da melhor maneira. Ela exemplifica: regulação do sono, divisão celular, expressão gênica rítmica, temperatura corporal, secreção de hormônios, sensação de fome e metabolismo.

Virgilio alerta que mudanças nos hábitos alimentares, aumento das atividades noturnas, interrupção do sono, horas extras no trabalho ou diferentes turnos, podem levar a defeitos no relógio ou no ritmo metabólico. “Alguns distúrbios mentais, síndromes metabólicas, doenças cardiovasculares e até cânceres podem estar associados a problemas nesse relógio”, afirma. “As alterações também podem ocorrer durante viagens longas (jet lag), por mudanças na rotina, em algumas exigências profissionais ou quando o corpo se estressa, e o organismo precisa de tempo para voltar às condições normais”, completa.

O especialista em geriatria e medicina biofísica, Francisco Vianna Oliveira Filho, cita como exemplo a melatonina. Produzida pela glândula pineal, localizada no cérebro, esse hormônio sinaliza ao corpo quando é dia ou noite. As relações entre modo de vida moderna (trabalho, metas profissionais, competitividade social) e quedas dos níveis desse hormônio são bem conhecidas, causando alteração da atividade cerebral e estresse. Em 1996, o livro Melatonina: o relógio biológico, de Celio Mendes, Denise Quinet Pifano e Helion Povoa (editora Imago) fez sucesso ao popularizar a questão. Recentemente, as relações entre o hormônio e o canto noturno de certos peixes foram avaliadas em artigo publicado na revista Current Biology.






Pesquisas e resultados nas mais diversas linhas

Diferentes organismos, desde fungos, bactérias e insetos têm sido estudados em relações aos seus ciclos. As investigações científicas relacionam o relógio biológico à neurociência, diabetes, obesidade e doenças metabólicas.

Parte do doutorado de Virgilio foi desenvolvido na Texas A&M University, College Station, nos Estados Unidos, no Center for Research on Biological Clocks, onde pesquisadores desenvolvem estudos de relógio biológico em diferentes organismos. Um dos mais promissores é sobre a migração das borboletas-monarca. A pesquisa sugere que o relógio circadiano desses insetos está localizado nas antenas.

A pesquisadora da USP dá detalhes do seu trabalho atual. “Especificamente, estudo o metabolismo de glicogênio, que é composto por moléculas de glicose, com a função de armazenamento de energia. Defeitos no metabolismo de glicose estão relacionados a problemas no relógio biológico, e, consequentemente, obesidade, diabetes e resistência à insulina”.

O estudo do relógio é importante, e mudanças diárias, principalmente no metabolismo, podem influenciar a eficácia e a toxicidade de muitas drogas e medicamentos. “Portanto, entender os mecanismos, a sinalização e as proteínas associadas pode contribui para o surgimento de novas oportunidades de tratamento para as doenças ou conhecimento dos diferentes comportamentos dos organismos vivos”, destaca.

Adilson Roberto Gonçalves é formado em química e pós-graduando em jornalismo científico pelo Labjor/Unicamp

Eduardo Cezar Bento é formado em biologia e pós-graduando em jornalismo científico pelo Labjor/Unicamp

Com ciência



 




Na edição desta sexta-feira (23) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocientista Fernando Gomes explica quais os efeitos da música no cérebro e no comportamento.

De acordo com o médico, a música faz diferença no nosso cérebro. Esses efeitos, segundo ele, vão além dos estímulos da audição, já que a vibração sonora também interfere na mente.

“A gente consegue perceber a vibração sonora que chega através até do próprio corpo, tanto que a gente observa isso quando vemos os instrumentos de percussão sendo executados”, comenta.

Gomes frisa que a música é capaz de acionar vários pontos cerebrais. “Além de impactar no lobo temporal, onde esse impulso elétrico é transformado em som, as mais diversas áreas do cérebro são acionadas ao mesmo tempo”.


Se eu tenho o entendimento, por exemplo, de uma letra, o que acontece, principalmente, no hemisfério esquerdo cerebral, enquanto o direito vai entender a melodia, o ritmo. Ou seja, eles trabalham de uma forma sincrônia e extremamente poderosa”, acrescenta.

Segundo ele, esse processo tão completo faz com que, mesmo esquecendo um trecho da canção ou da melodia, a mente consiga ter a memorização da música. Esse aspecto explica, por exemplo, como pessoas com alguma doença degenerativa, como Alzheimer, conseguem “repescar memórias por meio da música”.

“A música acaba funcionando como uma farmácia natural da qual todo mundo deveria abusar, sem contraindicação”, recomenda Gomes.

Para além disso, a música é capaz de algo que muitas pessoas já notaram: mudar o humor. Como exemplo, o médico cita as famigeradas músicas de academia. “Geralmente são de ritmos marcados que influenciam na frequência cardíaca e respiratória, e os funcionamentos dos músculos, que acabam entrando em sintonia com aquele processo natural”, descreve.

(Edição: André Rigue)cnn BR

Do ponto de vista psicológico, clima frio é aquele que nos provoca a sensação de frio ou até mesmo desconforto. Do ponto de vista fisiológico, clima frio é aquele que altera nosso sistema de regulação de temperatura. Podemos dizer que nosso termostato funciona em ;marcha lenta; em ambientes com temperaturas entre 25;C e 27oC, não disparando reações de aumento do metabolismo, no caso do frio, ou de transpiração, no caso do calor. A inteligência maior dessa regulação encontra-se em um centro profundo no cérebro, o hipotálamo, e é ele que comanda nossas reações de suor, calafrios e constrição ou vasodilatação dos vasos sanguíneos em resposta à temperatura ambiente.

Será que realmente funcionamos em outro ritmo em dias mais frios?

A adaptação do nosso corpo ao frio envolve mecanismos neurológicos, que influenciam nosso sistema endocrinológico e vascular, mas é claro que também envolve mecanismos comportamentais, como tirar do armário aquele cobertor que só usamos algumas vezes no ano.

Vários fatores determinam a regulação do frio em um determinado indivíduo: idade, sexo, preparo físico, quantidade de gordura corporal. Até mesmo o tipo de personalidade do indivíduo pode influenciar: extrovertidos reagem mais ao desconforto do frio com maior aumento da pressão arterial e secreção de noradrenalina. Doenças sistêmicas e medicações também podem afetar a resposta individual ao frio.

Quando pensamos no nosso desempenho físico, o frio prejudica a função muscular em exercícios dinâmicos. Já em exercícios estáticos (isométricos), o frio não influencia tanto e pode até aumentar a resistência muscular. Um estudo revelou associação entre o frio e a capacidade de equilíbrio, possivelmente por reduzir a eficiência de nossas ;antenas; que regulam nosso balanço. Mas e o nosso cérebro?

Sabemos que tanto o frio quanto o calor extremos podem influenciar negativamente nossas habilidades mentais, e um balanço geral dos estudos existentes sugere que o frio tende a atrapalhar mais. Entretanto, há evidências de que o frio leve/moderado pode melhorar nosso desempenho intelectual.

Duas principais teorias explicam o efeito do frio sobre nossas habilidades cognitivas. A primeira é a do ;efeito distração; que o desconforto associado ao frio pode causar, desviando nossa atenção da tarefa. A outra teoria defende a ideia de que o frio leve/moderado deixa-nos mais acordados, e o maior estado de vigília permite um melhor desempenho. Evidências neurofisiológicas apoiam essa hipótese, ao mostrar que a atividade elétrica cerebral no frio leve/moderado é mais ;esperta;.

O frio pode reduzir nosso nível de vigília, nossa concentração e memória de curto prazo, entre outras funções cognitivas, especialmente em temperaturas abaixo de 10; C. No caso de hipotermia, em que a temperatura corporal chega a níveis inferiores a 35;C, pode-se observar sintomas de confusão mental e redução da vigília. O efeito do inverno sobre nosso comportamento também pode ter uma parcela de contribuição do fator luminosidade. Em países muito ao sul ou muito ao norte, o inverno vem acompanhado de pouca luz por conta de dias muito curtos, fenômeno que é bem reconhecido como fator que aumenta a frequência de sintomas depressivos nessa estação. E depressão é igual a cérebro menos eficiente. Há evidências também que as concentrações dos hormônios da tireoide estão reduzidas em invernos rigorosos. E hormônios da tireoide são combustíveis importantes para o c

A melhor dica para nosso cérebro curtir o frio com bom desempenho é a de nos agasalharmos bem para não ficarmos distraídos com o desconforto do frio. No ambiente de trabalho, o ar condicionado exagerado pode ser um fator de distração. Viver o inverno sem ficarmos lembrando que está frio pode até deixar o cérebro mais ligado. Um cafezinho vai muito bem também.

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília correio brasiliense


Era julho de 1988. Nos Estados Unidos, o concreto fervia no verão mais quente já registrado até então. Os moradores das cidades invadiram as praias; o consumo de eletricidade foi maior do que nunca por causa do uso de ar-condicionado; e as rodovias ficaram repletas de veículos enguiçados por superaquecimento.

Mas algo mais estava acontecendo. Na verdade, 1988 não foi apenas um ano de calor recorde, foi também de violência. Houve um número sem precedentes de assassinatos, estupros, assaltos à mão armada e agressões.

Será então que há uma relação entre o clima e a tendência generalizada à violência? Há séculos suspeitamos que o calor pode alterar nosso comportamento.

Essa ideia está embutida em nossa própria linguagem - falamos, por exemplo, que estamos com a "cabeça quente" ou que "o sangue ferve" quando estamos com raiva.

Os primeiros estudos sobre o fenômeno surgiram no fim do século 19, coincidindo com as primeiras estatísticas confiáveis sobre crimes.

De acordo com uma das análises, os crimes contra indivíduos tendem a atingir seu pico nos meses de verão, enquanto os crimes contra propriedades são mais comuns durante o inverno.

Desde então, se acumularam novas evidências.

Todos os anos, à medida que a temperatura sobe, vivemos uma transformação coletiva.

Alguns sintomas são relativamente leves - somos mais propensos a buzinar quando ficamos presos no trânsito; a polícia costuma observar um aumento na desordem pública; e ficamos menos inclinados a ajudar estranhos.

Mas outros são mais desconcertantes.

'Reação estranha'

A onda de calor global de 2018, que levou a secas generalizadas e um número excepcionalmente alto de incêndios florestais no Ártico, também foi associada a algumas ocorrências humanas alarmantes.

No Reino Unido, foi registrado recorde de ligações para o número de emergência 999 - e um policial comentou que a população reage de "forma muito estranha" a esse tipo de clima. Em algumas áreas, a polícia informou que os chamados aumentaram em 40%.

É claro que tudo isso é altamente episódico - e há várias explicações alternativas para esses incidentes individuais. Mas a correlação parece ser reforçada por pesquisas acadêmicas em todo o mundo

No Reino Unido, entre abril de 2010 e 2018, foram registrados 14% mais crimes violentos a 20° C do que a 10° C. No México, o crime organizado está mais presente em áreas com clima mais quente, e alguns acadêmicos suspeitam que isso aconteça porque cria um "gosto pela violência".

Na África do Sul, cientistas descobriram que, para cada grau de elevação da temperatura, há um aumento de 1,5% no número de assassinatos. Na Grécia, um estudo mostrou que mais de 30% dos 137 homicídios registrados em uma determinada região ocorreram em dias com temperatura média de mais de 25°C.

Padrões semelhantes envolvendo crimes violentos e calor também foram observados na África Subsaariana, em Taiwan, nos Estados Unidos, na Finlândia, na Espanha... O fato é que esse efeito foi demonstrado em centenas de estudos científicos.

Protestos e o calor

Há ainda as revoltas. Em um estudo, cientistas mapearam levantes que aconteceram em todo o mundo de 1791 a 1880 - e descobriram que a grande maioria se deu nos meses de verão.

Independentemente da parte do planeta, a relação se repetia. Por exemplo, na Europa era mais provável de ocorrerem em julho, enquanto na América do Sul a probabilidade maior era de acontecerem em janeiro.

Estudos mais recentes confirmam a relação entre movimentos sociais e o clima. Uma análise de mais de 7 mil eventos ao longo de 36 anos mostrou que eles tendem a ocorrer em dias mais amenos - e, conforme a temperatura aumenta, têm mais chance de se tornar violentos.

Em meados de agosto deste ano, eclodiram protestos na Holanda após a semana mais quente já registrada no país; Um prédio foi incendiado, materiais pirotécnicos foram lançados contra policiais e 27 pessoas foram presas.

Embora injustiças e outros gatilhos de agitação social possam acontecer ao longo do ano, parece que somos mais propensos a reagir quando está calor.

"Tem uma ressalva", afirma Trevor Harley, professor emérito de psicologia na Universidade de Dundee, na Escócia.

"A relação entre o calor e eventos como protestos tem a forma de 'U'. Então, quando está muito quente ou úmido, as pessoas não fazem nada porque é muito desconfortável para se deslocar."

Por fim, as condições ao ar livre também podem afetar a incidência de lesões de automutilação. Um estudo realizado em 12 países mostrou que temperaturas ambientes mais altas estavam associadas a um risco maior de suicídio - e que essa relação era especialmente direta em países ocidentais e na África do Sul. Em geral, o risco era mais elevado quando as temperaturas atingiam 27° C.

Uma pesquisa feita na Austrália sugere que tende a haver um pico nas internações hospitalares em torno dessa temperatura, com um aumento de 7,3% durante as ondas de calor.

Por que o clima tem tanto poder sobre nosso comportamento é um mistério, mas conforme o aquecimento global avança, os cientistas estão correndo contra o tempo para encontrar algumas respostas

Uma das hipóteses mais óbvias é de que o calor sufocante é desconfortável, nos deixando coletivamente em um estado de espírito pior e levando a um comportamento prejudicial.

Há muitas evidências de que a primeira parte é verdadeira: as altas temperaturas nos deixam com mais raiva e estressados, além de menos felizes.

No calor, a Liga Nacional de Futebol Americano dos EUA (NFL, na sigla em inglês) registra mais faltas agressivas; jornalistas são mais propensos a usar linguagem negativa em suas reportagens; e as pessoas são mais suscetíveis a entrar em greve e pedir demissão.

Um pesquisador colocou a questão nos seguintes termos: em média, há uma grande diferença entre como as pessoas se sentem nos dias em que a temperatura é de 32º C e 21º C, dependendo se são viúvas, divorciadas ou casadas.

Essa ideia é respaldada pela descoberta de que o clima pode ser capaz de se infiltrar em nossos cérebros, alterando nossa biologia

Questão hormonal

Em 2017, cientistas descobriram que a temperatura ambiente na Finlândia tinha correlação com a quantidade de serotonina - uma importante substância química do cérebro que regula a ansiedade, a felicidade e o humor em geral - no sangue de voluntários saudáveis

Essencialmente, eles também encontraram uma forte ligação entre essa medida e a taxa mensal de crimes violentos. Isso sugere que o calor altera nossos níveis de serotonina, o que por sua vez afeta nossos níveis de agressividade.

Outra concepção é que o calor aumenta nossos níveis de testosterona, nos deixando mais agressivos, fato que também pode explicar em parte por que, à medida que os dias começam a se alongar, a incidência de violência sexual e doméstica aumenta.

Nos Estados Unidos, a ocorrência de "violência entre parceiros íntimos" - que inclui abuso físico, sexual e emocional - é 12% maior no verão do que no inverno.

No entanto, há várias explicações alternativas. Uma consideração importante a ser feita é que a maioria desses estudos é baseada em correlação: eles relacionam um fator, como a temperatura, a outro, como o crime. Mas isso não significa que um afete necessariamente o outro diretamente.

Quando é verão, vivemos em um mundo bem diferente: participamos de festivais lotados (antes da pandemia), em que beber durante é socialmente aceitável, e geralmente somos mais ativos.

Será que essas atividades de verão, que nos colocam em contato com outras pessoas e afloram nossas emoções, são os verdadeiros propulsores do nosso comportamento diante da onda de calor?

Essas coisas são difíceis de desvendar, porque elas sempre andam juntas", diz Harley.

"Se você considerar as taxas de suicídio, elas aumentam quando está mais quente... Mas variam muito os níveis de consumo de álcool, mais do que com o clima."

A pandemia de covid-19 poderia oferecer algumas respostas, uma vez que desde que surgiu, muitas atividades habituais de verão se tornaram impraticáveis.

A pandemia já provou ser um experimento natural para uma série de questões prementes, como o que acontece quando as viagens de longa distância são drasticamente reduzidas ou como as baleias reagem quando os oceanos se tornam menos barulhentos.

Então, quem sabe, talvez venha a revelar se a violência realmente está relacionada ao calor ou simplesmente às festividades de verão.

Independentemente do que impulsiona a relação entre o clima e o nosso comportamento, há algumas implicações preocupantes

Os cientistas preveem que, à medida que as mudanças climáticas avançam, um acréscimo de apenas 2° C nas temperaturas médias globais poderia aumentar a taxa de crimes violentos em mais de 3% em regiões temperadas, como a Europa Ocidental.

No momento, muitos especialistas acreditam que estamos caminhando para um aumento de mais de 3° C na temperatura , mesmo se cumprirmos todos os acordos climáticos em vigor.

Embora permaneça um mistério por que o clima nos afeta, talvez seja melhor a gente se preparar para o que vem por aí.bbc 



Neurociência da Temperatura

Data: 12 de agosto de 2021

Autora: Poliana Guimarães

 

Neurociência da Temperatura
A temperatura interna do corpo humano se situa em torno dos 36°C a 37.5°C e isso se configura como uma vantagem evolutiva, pois a essa temperatura fungos que poderiam causar prejuízo a nossa espécie não sobrevivem, mas também não é alta o suficiente para atrapalhar o funcionamento metabólico.
Temperaturas significativamente acima ou abaixo da faixa dos 36.5 graus podem ser muito danosas e, por isso, o corpo apresenta mecanismos para manter a temperatura em um nível ideal. Para evitar a hipotermia (diminuição excessiva da temperatura normal) o corpo reage com tremores, piloereção (“arrepios”) e vasoconstrição. Já para evitar a hipertermia (aumento excessivo da temperatura normal), o corpo usa de mecanismos como a sudorese (transpiração) e a vasodilatação. A parte do cérebro responsável por essa regulação de temperatura é o hipotálamo. Também podemos buscar esse equilíbrio ativamente quando percebemos temperaturas desconfortáveis, como por exemplo, nos agasalhando ou tomando uma bebida gelada.

 

Os termorreceptores
A percepção da temperatura se dá através de receptores especializados chamados termorreceptores. Esses receptores, espalhados por toda a pele, se caracterizam por serem terminações nervosas livres ligadas a fibras nervosas mielinizadas finas da classe Aδ ou fibras nervosas amielínicas da classe C. As fibras Aδ e C conduzem estímulos frios, enquanto somente as fibras C conduzem estímulos de calor.
A sensibilidade à temperatura não está́ igualmente distribuída por toda a pele.
Existem receptores especializados em calor e outros em frio, sendo que a quantidade de receptores para frio é bem maior. Em pequenas áreas onde não existem termorreceptores, não há sensibilidade a temperatura. Os receptores para calor são estimulados a temperaturas que se estendem de 33°C a 45°C, enquanto os receptores para frio são sensíveis a temperaturas mais baixas do corpo (5°C a 35°C). Abaixo dos 5°C, assim como acima de 45°C, são ativados os receptores de dor.
Algumas regiões do corpo também possuem mais receptores que outras partes, como por exemplo, as mãos, os pés e o rosto.



Neurociência da Temperatura

Data: 12 de agosto de 2021

Autora: Poliana Guimarães

 

Neurociência da Temperatura
A temperatura interna do corpo humano se situa em torno dos 36°C a 37.5°C e isso se configura como uma vantagem evolutiva, pois a essa temperatura fungos que poderiam causar prejuízo a nossa espécie não sobrevivem, mas também não é alta o suficiente para atrapalhar o funcionamento metabólico.
Temperaturas significativamente acima ou abaixo da faixa dos 36.5 graus podem ser muito danosas e, por isso, o corpo apresenta mecanismos para manter a temperatura em um nível ideal. Para evitar a hipotermia (diminuição excessiva da temperatura normal) o corpo reage com tremores, piloereção (“arrepios”) e vasoconstrição. Já para evitar a hipertermia (aumento excessivo da temperatura normal), o corpo usa de mecanismos como a sudorese (transpiração) e a vasodilatação. A parte do cérebro responsável por essa regulação de temperatura é o hipotálamo. Também podemos buscar esse equilíbrio ativamente quando percebemos temperaturas desconfortáveis, como por exemplo, nos agasalhando ou tomando uma bebida gelada.

 

Os termorreceptores
A percepção da temperatura se dá através de receptores especializados chamados termorreceptores. Esses receptores, espalhados por toda a pele, se caracterizam por serem terminações nervosas livres ligadas a fibras nervosas mielinizadas finas da classe Aδ ou fibras nervosas amielínicas da classe C. As fibras Aδ e C conduzem estímulos frios, enquanto somente as fibras C conduzem estímulos de calor.
A sensibilidade à temperatura não está́ igualmente distribuída por toda a pele.
Existem receptores especializados em calor e outros em frio, sendo que a quantidade de receptores para frio é bem maior. Em pequenas áreas onde não existem termorreceptores, não há sensibilidade a temperatura. Os receptores para calor são estimulados a temperaturas que se estendem de 33°C a 45°C, enquanto os receptores para frio são sensíveis a temperaturas mais baixas do corpo (5°C a 35°C). Abaixo dos 5°C, assim como acima de 45°C, são ativados os receptores de dor.
Algumas regiões do corpo também possuem mais receptores que outras partes, como por exemplo, as mãos, os pés e o rosto.

 

Canais TRP
Canais iônicos da família de canais potenciais de receptores transitório (TRP) estão envolvidos na transdução de estímulos térmicos e são ativados em distintas faixas de temperatura. As classes TRPM8 e TRPA1 são ativadas mediante estímulos frios, abaixo de 25° C e de 17° C, respectivamente. Canais TRPV4 são ativados por temperaturas acima de 27° C, enquanto canais TRPV3 respondem ao aquecimento da pele acima de 35°C. Já receptores TRPV1 e TRPV2 respondem a altas temperaturas, acima de 45°C, que causam dor, e, portanto, são expressos em nociceptores de calor.
Sob algumas condições de estimulação, os pontos frios da pele produzem sensação de frio quando incitados por um estímulo muito quente (45°C – 50°C). A explicação desse frio paradoxal é que alguns receptores para frio expressam canais TPRV1 e, assim, são ativados mediante altas temperaturas. Dessa forma, estímulos muito quentes podem ativá-los, no entanto, a sensação não será de calor, mas de frio, pois o receptor é especializado nessa sensação. Independente do estimulo, os receptores para frio sempre geram sensação de frio.
Outra situação curiosa que envolve a percepção da temperatura é que se um estímulo muito quente for aplicado em uma pequena área da pele sensível ao calor e ao frio, surge uma intensa sensação de calor. O estímulo quente ativa não só os receptores de calor, mas também estimula receptores para frio. Ao que parece, as sensações de frio e calor se combinam e resultam em uma sensação de calor abundante.
Alguns produtos termicamente neutros também podem estimular canais TRP e provocar sensações de frio e calor. O mentol, por exemplo, estimula canais de frio, o que resulta naquela sensação de frescor. Por outro lado, algumas substâncias provocam sensação de calor, como a capsaicina (o principal componente picante da pimenta).

 

A via da termocepção
Através das terminações nervosas livres, o neurônio primário detecta o estímulo e, em seguida, faz sinapse na substância gelatinosa, localizada no corno dorsal da medula. O neurônio sensorial secundário decussa (cruza de lado) e ascende pelo trato espinotalâmico contralateral. No tálamo ocorre a sinapse com o neurônio terciário. O terceiro neurônio ascende pelo trato talamocortical e, finalmente, alcança a área somatossensorial primária do córtex.

 

Conclusão
A sensação de temperatura é importante para a nossa sobrevivência, pois quando essa se torna consciente podemos ativamente buscar o equilíbrio, isto é, nos agasalhar quando está frio, procurar sombra e meios de nos refrescar quando está calor. Os responsáveis por essa sensação tão importante são os termorreceptores. Apesar de haverem receptores específicos para calor e frio, existem algumas exceções que resultam em paradoxos. Esses paradoxos evidenciam que o sistema nervoso não distingue o estímulo, apenas interpreta o receptor.

 

Referências
Antonio, B. B. (2021). Sistema Somatossensorial. In: Sato, M. A. (Org.) Tratado de Fisiologia Médica. (100-106). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
Bear, M. F., Connors, B. W., & Paradiso, M. A. (2017). O Sistema Somatosensorial. In: Bear, M. F., Connors, B. W., & Paradiso, M. A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso (4ed., pp. 415-452). Porto Alegre: Artmed
Gardner, E. P., & Johnson, K. O. (2014) O sistema somatossensorial: receptores e vias centrais. In: Kandel, E. R., Schwartz, J. H., Jessell, T. M., Siegelbaum, S. A., & Hudspeth, A. J. Princípios de Neurociências (5ed., pp. 415-433). Porto Alegre: Artmed
Schiffman, H. R. (2005). Os sentidos da pele. In: Schiffman, H. R. Sensação e Percepção (5ed., pp. 300-326). Rio de Janeiro: LTC
Silverthorn, D. U. (2017) Fisiologia Sensorial. In: Silverthorn, D. U. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada (7ed., pp. 309-357). Porto Alegre: ArtmedLiga aCademiCa dAs nEueocias

 Na edição desta quarta-feira (21) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou como o frio pode estar associado ao aumento do número de mortes por acidente vascular cerebral (AVC).

O médico lembrou que, no inverno, há uma tendência natural do corpo em manter o calor a todo custo e, com isso, E vasoconstrição dos vasos sanguíneos da periferia,Ao ocorrer a vasoconstrição, Fernando Gomes explicou que a pressão arterial aumenta e, como consequência, o sangue fica mais viscoso — é isso que aumenta a chance de entupimento de vasos. 


“Quando falamos de um AVC ou AVE (acidente vascular encefálico), cerca de 80% são do tipo isquêmico, ou seja, existe a formação de um trombo ou coágulo que entope um vaso e o sangue deixa de chegar em uma porção do órgão. Portanto, se tem a morte daquela parte do cérebro, caracterizando o acidente vascular.”


“Por isso, temos que ficar atentos à saúde do nosso cérebro nessa época do ano. Deixo duas dicas: manter a temperatura corporal e também se lembrar do consumo de água para evitar que o sangue fique mais espesso”, recomendou o neurocirurgião. como pernas e braços, por exemplo. “Isso significa que os vasinhos fecham para que a maior parte do sangue fique dentro da região do abdômen para se perder menos calor”, explica Gomes.

Ao ocorrer a vasoconstrição, Fernando Gomes explicou que a pressão arterial aumenta e, como consequência, o sangue fica mais viscoso — é isso que aumenta a chance de entupimento de vasos. 

“Quando falamos de um AVC ou AVE (acidente vascular encefálico), cerca de 80% são do tipo isquêmico, ou seja, existe a formação de um trombo ou coágulo que entope um vaso e o sangue deixa de chegar em uma porção do órgão. Portanto, se tem a morte daquela parte do cérebro, caracterizando o acidente vascular.”

“Por isso, temos que ficar atentos à saúde do nosso cérebro nessa época do ano. Deixo duas dicas: manter a temperatura corporal e também se lembrar do consumo de água para evitar que o sangue fique mais espesso”, recomendou o neurocirurgião.Vc NN saud


Oito alimentos que fazem envelhecer mais rápido (e como podemos substituí-los)

Não existe dieta milagrosa contra o envelhecimento. Mas evitar certas comidas faz que a marca do tempo na pele seja menos profunda.


Prevenir ou retardar o envelhecimento da pele é algo que desperta muito interesse e move montanhas de dinheiro: as previsões sugerem que o mercado de cosméticos e de cuidados da pele será avaliado em 863 bilhões de dólares (3,4 trilhões de reais) em 2024. São muitos os fatores que fazem com que nossa pele tenha um aspecto murcho com o passar do tempo: exposição ao sol, predisposição genética, consumo de álcool e tabaco, poluição e também a alimentação. Alguns são evitáveis e de outros podemos nos proteger, mas, no que se refere à comida, cabe perguntar se da mesma forma que existem alimentos que nos fazem envelhecer mais rapidamente pode haver outros que evitem isso.

Ele pais


A resposta é negativa. "Não há dieta que retarde o envelhecimento diretamente", alerta o nutricionista Daniel Ursúa. No entanto, apesar de não existir dieta milagrosa antiaging, podemos evitar certos alimentos ou substituí-los por outros mais saudáveis. Listamos os alimentos que são autênticos vampiros da juventude e contamos como podem ser substituídos.













Doença de Alzheimer. Esta desordem cerebral, estimada afetar 30 por cento de todos aqueles com idade superior a 85, corrói sistematicamente as suas memórias e habilidades de raciocínio – por isso não é nenhuma surpresa que muitos querem evitá-la. E as melhores pistas sobre como prevenir essa doença, e proteger o cérebro de outras relacionadas à demência, estão vindo de um estudo de referência que este ano celebra o seu 30º aniversário.

 

Os participantes

 

Estima-se que a demência – os que sofrem de Alzheimer compõem 70 por cento – custa ao sistema de saúde australiano quase US$ 5 bilhões por ano. Então, o que fazer para identificar os fatores de risco? Fácil: Encontra-se um grande número de pessoas, determina-se quais delas têm ou não a doença, em seguida, analisa-se o que os dois grupos fizeram de forma diferente.

 

Exceto para os resultados mais precisos, todas essas pessoas precisam ter vivido exatamente o mesmo estilo de vida, a mesma dieta, o mesmo número de parceiros sexuais, e aproximadamente a mesma quantidade de sono … por décadas. Como se vê, não é tão fácil – a menos que você tenha acesso a centenas e centenas de freiras.

 

E isso é exatamente o que o Dr. David Snowdon, professor de neurologia na Universidade de Kentucky, pontuou quando visitou as School Sisters of Notre Dame, em 1986, no que mais tarde ficou conhecido como “o estudo das freiras”. Ele contou com a ajuda de 678 freiras católicas, que lhe deram todos os seus registros médicos e concordaram em doar seus cérebros após a morte para um estudo mais aprofundado.

 

O que fez este grupo de participantes do estudo tão especial foi a semelhança particular com a qual todas tinham levado suas vidas – nenhuma delas fumava, nenhuma bebeu excessivamente, nenhuma teve parceiros e todas tiveram uma rotina significativa. No mundo da ciência, para se ter tantos participantes com aproximadamente as mesmas variáveis de controle é uma verdadeira dádiva de Deus, e quase impossível de replicar.

resultados

 

estudo das freiras ainda está em curso, mas o que Snowdon e sua equipe descobriram até agora é notável. O mais intrigante, as autópsias dos cérebros das freiras mostraram que todas possuíam os sinais físicos da doença de Alzheimer – ainda que em vida nenhum sintoma se apresentou, permanecendo mentalmente ágeis na velhice.

 

A conclusão principal parece ser que as pessoas que leem, escrevem e se estimulam intelectualmente ao longo de seus primeiros vinte anos terão uma melhor chance de, mais tarde na vida, afastar a demência.

 

As lições

 

Então, o que os cérebros das freiras podem ensinar a nós todos sobre como afastar a demência à medida que envelhecemos? Snowdon afirma que as lições aprendidas a partir de sua pesquisa são interessantes, mas certamente não são 100 por cento comprovadas. Embora as freiras se apresentaram como um grupo raro de participantes, não se pode fazer suposições baseadas em um único estudo.

 

Dito isso, ele acredita que o dano físico ao cérebro – seja através de acidente vascular cerebral ou concussão – é provável que acelere o ritmo a que a doença de Alzheimer se desenvolve. Comportamentos que podem causar um AVC (acidente vascular cerebral), como a falta de exercício físico, tabagismo e má alimentação, podem também desempenhar um papel de risco. Snowdon também descobriu que, durante exames cerebrais, as freiras que tinham altos níveis de folato eram menos propensas a ter as cicatrizes físicas da doença de Alzheimer em seus cérebros. O folato (por vezes referido como ácido fólico) é uma vitamina do grupo B encontrada concentrada em vegetais verde-escuros, como espinafre e brócolis.


Quando você consome alimentos ricos em ácido fólico, o seu corpo torna-se mais eficiente na produção de fitas de DNA, que ajudam a proteger o cérebro, sistema nervoso central e até mesmo sua saúde emocional. Geralmente, médicos recomendam às gestantes o consumo de níveis adequados de folato, uma vez que está provado que ele reduz o risco de defeitos do tubo neural em bebês.

 

Por último, mas não menos importante, a lição mais surpreendente do estudo das freiras em curso é que as irmãs que usaram seus cérebros várias vezes por dia para ler, escrever, pensar e analisar – eram menos prováveis (embora não garantido) a sucumbir à doença de Alzheimer.

 

Ao todo, graças às extremamente generosas irmãs de Notre Dame, parece que estamos começando a desbastar as bordas do que pode causar os distúrbios relacionados com a demência, como a doença de Alzheimer. E quanto mais nos aproximamos, o conselho se aproxima mais do senso comum. Para uma melhor chance, se alimente bem, se exercite, use seu cérebro e tente evitar danificá-lo.

 

 
Fonte: http://coach.ninemsn.com.au/2016/05/17/11/12/the-nun-study-and-dementia

 

 
“As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para o profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter a respeito de sua condição médica. As informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Nunca desconsidere o conselho médico ou demore na procura por causa de algo que tenha lido em nosso site e mídias sociais da Essentia.” 

 





Os exercícios mentais ajudam a estimular a mente e favorecem o desenvolvimento de novos aprendizados. Não por acaso, são indicados pelos especialistas como uma prática que deve ser incorporada à rotina.

Mas você sabe como exercitar o cérebro e garantir que o seu potencial cognitivo seja aproveitado ao máximo? Neste artigo, explicamos a importância dos exercícios mentais e como eles podem ser adaptados a seu dia a dia.

Acompanhe!

O que são exercícios mentais?

Da mesma forma que o corpo necessita de estímulos para se manter ativo e em pleno funcionamento, o cérebro também precisa ser exercitado para seguir “em forma”.

Os exercícios mentais são, então, uma forma de potencializar a capacidade produtiva da mente e propor treinos que evitem perda de cognição.

Inclusive, o neurocientista Lawrence Katz, autor do livro Mantenha o seu cérebro vivo, criou um termo específico para descrever a ginástica voltada para o cérebro: neuróbica. Vamos entender como funciona?

Como os exercícios mentais funcionam?

Os princípios da neuróbica mostram que os exercícios mentais servem para permitir que você execute de forma mais consciente as suas ações, o que vai desencadear reações cerebrais e emocionais que estimulam as sinapses.

As sinapses, por sua vez, levam à criação de novas conexões entre os neurônios. É como se um registro adicional fosse feito no seu cérebro. Mas, na prática, o que isso significa?

Significa que é importante se desafiar não apenas a adotar hábitos que modifiquem a rotina, mas também realizar as mesmas atividades de modos diferentes.

Nesse sentido, é fundamental entender que há um natural declínio na velocidade com que processamos informações conforme os anos passam. O que podemos fazer para reduzir o impacto da idade sobre o cérebro, então, é mantê-lo ativo.

Atividades tão simples quanto mudar o caminho até o trabalho, tentar escrever com a outra mão e vestir a sua roupa de olhos fechados podem se transformar em exercícios mentais que estimulam o sistema nervoso a sair da zona de conforto e criar novas alternativas.

O resultado é que você deixa de agir no automático e passa a operar com mais atenção, aberto às possibilidades.

Benefícios dos exercícios mentais

Os benefícios possíveis da prática frequente de exercícios mentais são inúmeros. Confira alguns deles nesta lista:

  • Melhoria da capacidade de atenção
  • Reforço da memória
  • Desenvolvimento da linguagem e do raciocínio lógico
  • Prevenção e combate ao declínio cognitivo
  • Proteção contra doenças degenerativas, a exemplo do mal de Alzheimer

Mas vale a observação: tais vantagens só são percebidas de fato quando vira um hábito praticar exercícios mentais. Da mesma forma, efeitos duradouros dependem da manutenção das práticas.sua previdência privada.



Com o tempo, o exercício altera o número de neurônios no cérebro e como eles se comunicam. Um estudo de 2016 da Universidade do Arizona, por exemplo, descobriram que os corredores de cross-country tinham maior conectividade entre partes do cérebro envolvidas na memória, atenção, tomada de decisões, multitarefa e processamento de informações sensoriais – as mesmas regiões que tendem a ser mais atingidas à medida que envelhecemos – em comparação com controles saudáveis, mas sedentários. As redes que disparam juntas enquanto você corre – coordenando sua rota, mantendo o controle do tráfego, tentando não tropeçar nas pedras e mantendo o ritmo – se fortalecem conforme você as usa, de modo que, mesmo em repouso, os corredores tendem a ter maior conectividade entre o cérebro regiões. É o tipo de conectividade que os músicos, taxistas e outros especialistas em habilidades desenvolvem. Ao mesmo tempo, os corredores diminuíram a conectividade com uma região do cérebro tipicamente associada à mente vagando,


O que acontece com o cérebro durante o exercício físico

Ondas cerebrais ganham impulso

Seu cérebro se torna muito mais ativo durante o exercício, “talvez mais ativo do que em qualquer outro momento”, diz Maddock. Uma maneira pela qual os neurônios se comunicam é com pulsos elétricos e, às vezes, redes inteiras de neurônios disparam em uníssono, como um grupo de torcedores de futebol cantando juntos em um jogo. Estes pulsos sincronizados são conhecidos coloquialmente como ondas cerebrais. Diferentes tipos de ondas cerebrais, caracterizadas pelo número de vezes que elas oscilam em um único segundo, estão ligadas ao estado mental e ao humor de cada um. Ondas de baixa frequência ocorrem quando estamos no piloto automático: escovar os dentes, dirigir ou dormir, por exemplo. Ondas de frequência mais alta, conhecidas como ondas beta, ocorrem quando estamos acordados e mentalmente engajados e estão associados à atenção, memória e processamento de informações.

Usando ferramentas como um eletroencefalograma (EEG), que captam esses pulsos elétricos, os pesquisadores descobriram que o exercício aeróbico causa uma mudança na amplitude e frequência das ondas cerebrais. Mais ondas beta, em outras palavras, significa que os usuários podem estar em um estado mais alerta. “O cérebro está em uma engrenagem diferente quando o ser humano está em movimento”, diz Maddock.

Você se torna mais sensível ao mundo ao seu redor

Durante o exercício, o cérebro torna-se muito mais receptivo às informações recebidas, levando a mudanças mensuráveis ​​na visão. Tom Bullock e Barry Giesbrecht, professor de psicologia e ciências do cérebro na UC Santa Barbara, trabalham em um dos poucos laboratórios que conseguiram medir os efeitos da atividade aeróbica no córtex visual durante o exercício. Bullock diz que levou quatro anos para descobrir como gravar de forma consistente e confiável um EEG enquanto um sujeito está em movimento.

O córtex visual é projetado para zerar recursos importantes no ambiente – o tipo de recursos que podem indicar, por exemplo, a presença de um predador ou uma presa – e filtrar ruídos de fundo menos importantes. Este ano, Bullock e Giesbrecht descobriram que o ciclismo de baixa intensidade aumentou essa capacidade de seletividade de recursos, de modo que o cérebro conseguiu identificar melhor as características específicas durante o exercício.

Os cientistas também administraram testes cognitivos logo após o exercício – por exemplo, medindo o limiar de fusão intermitente (a taxa em que uma luz intermitente começa a parecer que está constantemente brilhando) e descobriram a mesma coisa: após o exercício, os sentidos aumentam e podem detectar o piscar com uma frequência mais alta do que antes do exercício.

Em conjunto, esses resultados indicam que “as pessoas vêem mais claramente e imediatamente após o exercício”, diz Maddock. “Eles podem fazer distinções visuais mais refinadas; suas percepções são mais nítidas ”.

O seu cérebro dá apoio aos estoques de neurotransmissores

Os benefícios do exercício para o cérebro podem começar assim que a frequência cardíaca começar a subir. Imagine, se você quiser, subir em sua bicicleta para um passeio matinal. Sua respiração se torna mais rápida e pesada à medida que seus pulmões lutam para atender às demandas de oxigênio do corpo em movimento. Sua freqüência cardíaca aumenta à medida que bombeia sangue oxigenado pelo corpo e no cérebro. E da mesma maneira que seus músculos exigem mais energia durante o exercício, o cérebro começa a engolir glicose ou outros carboidratos quando o corpo está em movimento.

“No passado, ninguém tinha ideia do que o cérebro estava fazendo com todo esse combustível”, diz Maddock. Isto é, até o ano passado, quando ele e seus colegas publicaram um novo estudo no Journal of Neuroscience. Eles descobriram que o cérebro usa um pouco desse combustível para construir mais neurotransmissores, os produtos químicos que transmitem mensagens pelo sistema nervoso. Maddock e seus colegas usaram ressonância magnética para medir os níveis de neurotransmissores em indivíduos de estudo após um exercício de bicicleta estacionária e descobriram que os níveis de glutamato e GABA – dois dos neurotransmissores mais comuns no cérebro – aumentaram. O cérebro pode estar “preenchendo seus estoques de ingredientes essenciais”, diz Maddock. “Talvez para lidar com um período prolongado de caça, por exemplo, fugir ou guerrear”. Exercício, em outras palavras, pode reabastecer o cérebro com neurotransmissores essenciais que ele precisa para operar de maneira ideal.

Este processo pode ser porque o exercício foi mostrado para aliviar a depressão. A equipe de Maddock descobriu que, durante a atividade, os níveis de glutamato aumentam na mesma região do cérebro, onde os estoques do neurotransmissor já haviam sido baixos em pacientes deprimidos.


Seu cérebro se torna mais jovem

Algumas coisas acontecem no cérebro do praticante que fazem o órgão parecer mais jovem. Primeiro, estudos em animais e humanos sugerem que o exercício estimula a produção de fatores de crescimento que nutrem novos neurônios e ajudam as células existentes a sobreviver. As células neurais em desenvolvimento também precisam de mais nutrientes à medida que crescem, e estudos em animais sugerem que o exercício promove a liberação de outros fatores de crescimento que promovem o crescimento dos vasos sanguíneos, o que poderia fornecer esses nutrientes. Pelo menos um estudo em humanos descobriu que indivíduos ativos tendem a ter vasos sanguíneos mais saudáveis, ou, nas palavras dos autores, um “cérebro de aparência mais jovem”.

Essas mudanças estruturais no cérebro geralmente levam pelo menos algumas semanas para se desenvolver, mas levam a melhorias duradouras em regiões do cérebro associadas a tarefas cognitivas, como a memória de trabalho. “Muitos estudos de intervenção que estão por aí mostram que o exercício aeróbico aumenta a neurogênese no hipocampo, por exemplo”, diz Giesbrecht. “O hipocampo é realmente crítico para a memória.”

Além disso, a pesquisa mostra que os usuários que envelhecem têm aumentado o volume de substância cinzenta em regiões associadas à inteligência geral e à função executiva, que engloba tudo, desde a atenção ao planejamento até a capacidade de resolver problemas. Estudos também mostram que adultos em boa forma têm tratos de substância branca mais saudáveis ​​- as superestradas que conectam várias regiões da massa cinzenta – nos gânglios da base, uma região crítica para o equilíbrio e a coordenação.

Novas conexões entre neurônios emergem

Com o tempo, o exercício altera o número de neurônios no cérebro e como eles se comunicam. Um estudo de 2016 da Universidade do Arizona, por exemplo, descobriram que os corredores de cross-country tinham maior conectividade entre partes do cérebro envolvidas na memória, atenção, tomada de decisões, multitarefa e processamento de informações sensoriais – as mesmas regiões que tendem a ser mais atingidas à medida que envelhecemos – em comparação com controles saudáveis, mas sedentários. As redes que disparam juntas enquanto você corre – coordenando sua rota, mantendo o controle do tráfego, tentando não tropeçar nas pedras e mantendo o ritmo – se fortalecem conforme você as usa, de modo que, mesmo em repouso, os corredores tendem a ter maior conectividade entre o cérebro regiões. É o tipo de conectividade que os músicos, taxistas e outros especialistas em habilidades desenvolvem. Ao mesmo tempo, os corredores diminuíram a conectividade com uma região do cérebro tipicamente associada à mente vagando,

Então, o exercício é mágico?

Hillman adverte que, por enquanto, os praticantes de exercícios devem ser realistas sobre o que as atividades aeróbicas podem fazer pelo cérebro. “Você não deve esperar aumentar o seu QI ou qualquer coisa dessa natureza”, diz ele. “Estamos falando de efeitos pequenos a moderados, que são potencialmente ótimos para melhorar a cognição e a saúde do cérebro.”

Mas Bullock e Giesbrecht imaginam um futuro em que os médicos prescrevam exercícios em vez de drogas. “O exercício é um potencial profilático contra alguns aspectos do declínio cognitivo relacionado à idade”, diz Giesbrecht. “Quando você pensa no fato de que temos um envelhecimento demográfico e a alta prevalência de depressão, pode haver tratamentos mais simples, como o exercício.”







Como funciona a glândula pineal, o órgão enigmático que regula nosso sono

  • Raquel Sánchez Varo, Diego Teófilo Bermúdez Flores e Juan Antonio López Villodres
  • The Conversation*




Saiba os efeitos que o exercício provoca na mente, seja em uma distância de 5k ou em uma ultramaratona
Escrito por Juliana Vaz
3 min de leituraPublicado em 
O neurocientista britânico Ben Martynoga fala sobre a ciência que há por trás da decisão de calçar os tênis e sair para um corrida.


tal “runner’s high” é real

Ben Martynoga explica que é natural sentir fadiga durante a corrida, mas ao continuar, a promessa de sentir-se bem, eufórico, feliz e ao mesmo tempo relaxado, realmente acontece. Graças à endorfina liberada e ao estímulo dos receptores neurais do sistema endocanabinoide, uma vasta gama de efeitos fisiológicos e mentais acontece no corpo. “Endorfinas são como opiáceos [substâncias derivadas do ópio]; e os endocanabinoides, naturalmente produzidos pelo organismo, têm ação similar aos estímulos produzidos pelo cannabis. Nada disso é viciante, mas é alusivo à experiência de prazer que o corredor sente”, diz o neurocientista.

. O estresse não é só mental

Um dia de trabalho estressante também afeta seu corpo. Explicamos: o hipotálamo (parte do cérebro que controla a execução motora e funcional, como apetite, memória, temperatura, e sistema nervoso autônomo, incluindo a pressão sanguínea) envia um sinal para hipófise e junto com as glândulas supra renais. O resultado é que esses estímulos inundam o organismo de adrenalina e cortisol. Os batimentos cardíacos do coração aumentam assim como a pressão sanguínea, o ritmo de respiração intensifica e as pupilas dilatam. Reconhecer essas sensações no corpo não fazem com que elas desapareçam, no entanto é possível escolher algo produtivo para aliviar esse estresse: correr.

. Você nasceu para correr

“Ao olhar para a evolução humana é óbvio que o corpo quer correr! E a corrida é uma ótima forma de retomar o controle das faculdades mentais”, atesta Ben, que complementa: “Há evidências que a corrida estimula as funções cerebrais, como aumentar o foco e atenção, resolução de problemas com objetividade e ainda estimular a memória”. Há evidências científicas que exercitar-se continuamente, por determinado período de meses, pode aumentar o tamanho do hipocampo, estrutura parte do sistema límbico e responsável pela memória

A corrida aumenta a capacidade "mindfulness"

“A corrida ajuda a induzir você a um estado meditativo, direcionar a mente no momento presente. Afinal, o foco é na respiração, na pisada, na postura, no que está ao redor de você no ambiente”, diz Ben. Com sorte, é possível alcançar um flow mental em que nada do que pode acontecer amanhã ou que o houve no passado, realmente importa”.


. As primeiras passadas são as mais difíceis…

Redbu“Começar é o mais difícil. Parte de nós está comprometida com a decisão de dar o primeiro passo enquanto outra fica presa à outras demandas que precisam de atenção”, explica Ben. Esse mini conflito acontece na mente e é nela também que trabalha para priorizar uma coisa ou outra. “Escolha a corrida, você não irá se arrepender”.





Sincronizando nosso relógio biológico

A glândula pineal ou epífise é um agente cronobiótico. Isso significa que ela sincroniza nosso relógio interno com o ciclo claro-escuro. Na ausência de luz, esse pequeno órgão cerebral de apenas 120 miligramas produz o hormônio que nos leva ao mundo dos sonhos: a melatonina.

Em alguns animais (peixes, répteis e anfíbios), essa glândula está localizada sob a pele e é capaz de receber informações de luz diretamente. Por isso também é conhecida como "o terceiro olho".

No entanto, na espécie humana, assim como na maioria dos vertebrados, esse órgão em forma de abacaxi e do tamanho de uma ervilha está localizado dentro do crânio. Portanto, você precisa de maneiras mais complexas para saber se é dia ou noite.

A retina registra a informação da luz, que atinge o núcleo supraquiasmático (SPQ) do hipotálamo (veja o diagrama).







A música é um ótimo exercício para nosso cérebro

    Não é de hoje que sabemos que os estímulos externos são todos absorvidos pelo cérebro. Agora já pensou que esses estímulos podem exercitar nosso cérebro de alguma forma?

    É fácil pensar em como malhar nosso corpo e deixar tudo em ordem e cheio de disposição e, por qual razão com a nossa mente seria diferente? A começar, os exercícios mentais deixam nosso cérebro menos propensos às doenças como Alzheimer ou demências.

    A forma de colocar os neurônios para funcionar – segundo Mariuza Pregnolato, psicóloga especialista em Análise Comportamental e Cognitiva – é estimular os cinco sentidos, fazendo com que você preste mais atenção nas suas ações e então, melhore seu poder de concentração e a sua memória. 

    A forma mais recomendada e efetiva para isso é a Musicoterapia, porque ela estimula quase todas as partes do cérebro! Então ouvir música, enquanto malha, é um exercício completo para o seu corpo inteiro!

    Há diversas áreas cerebrais que são estimuladas pela música, entre elas estão:

    O lobo temporal o qual é responsável pela interpretação do sinal sonoro, ou seja, escutando música você torna sua percepção cerebral ao som melhor, que trabalha junto com a área de Wernicke, que é a parte do cérebro que gera a compreensão da linguagem. Quando escutamos música com letra e cantamos, essa área também é estimulada. Sobre a realidade de decorar as letras e aprendê-la, é um treino que trabalha sobre coligações e associações, para ficar memorizado.

    Outra área exercitada, ao ouvir música, é o sistema Límbico, que associa o sistema sensorial ao sistema emocional e também tem função importante na memória.

    A música nos faz emergir em nossos sentimentos e isso estimula a memória. Podemos citar como exemplo duas áreas que trabalham com esta realidade: o Hipocampo e o Hipotálamo.

    O Hipocampo é a área do cérebro relacionada às novidades, quando nos deparamos com algo novo ou quando tentamos desenterrar da cabeça as músicas antigas que você sabia inteira, pode ser associada a épocas históricas, momentos da nossa vida, a nomes de artistas e bandas, entre outros diversos tipos de memória.

    Já o Hipotálamo é o que associa a música e a transforma em um estado de espirito, como na situação em que se ouve uma música agitada e isto passar a gerar uma sensação de inquietude, completamente relacionado às emoções e vivências.

    Junto da música, vem a dança! E o lobo Frontal é o responsável por grande parte dos movimentos voluntários, quando dançamos escutando música ou até quando batemos o pé escutando um som. Também é estimulado quando estamos cantando uma música da qual gostamos. O lobo frontal é completamente entrelaçado a nossa personalidade, lembrando que o gosto musical também tem relação com a nossa identidade e maneira de enxergar o mundo.

    Sabendo todas as vantagens e o como a música está completamente vinculada a saúde mental, veja como os sentidos influenciam no estado de nosso corpo e cante a sua musica favorita! Que tal aprender uma coreografia junto?









    Sono previne o envelhecimento?

    • Dormir bem não faz muita diferença - mas dormir mal faz

    Não é que ele previna. Se você dorme bem, vai continuar envelhecendo normalmente. A questão é que, se dorme mal, os sinais de envelhecimento vão aparecer mais cedo do que deveriam. Essa conclusão veio a partir de um estudo clínico feito pela University Hospitals Case Medical Center, em Cleveland.

    Participaram da pesquisa 60 mulheres entre 30 e 49 anos, sendo que metade delas tinha sono ruim. A partir de avaliações da pele em fotos, testes de exposição à radiação ultravioleta sem proteção e questionários preenchidos pelas participantes, os pesquisadores concluíram que aquelas que não dormiam o suficiente tinham aumentado os sinais de envelhecimento, como rugas, manchas e flacidez.


    Além disso, a capacidade de se recuperar de queimaduras solares também era deficiente nas mulheres com privação do sono: a vermelhidão levou mais de 72 horas para sumir, uma indicação de que a inflamação não estava sendo combatida como deveria.

    LEIA: O que acontece enquanto você


    O sono é uma das áreas mais jovens da ciência. Até a metade do século 20, os cientistas acreditavam que o cérebro se desligasse totalmente durante a noite, com o único objetivo de descansar. Hoje, sab... 

    Hoje, sabemos que não é bem isso. Dormimos por três motivos: para economizar energia, para fazer manutenção do corpo e para consolidar a memória.

    O primeiro é fácil de entender. Enquanto você dorme, seu corpo consome menos energia – pelo simples fato de você estar imóvel e relaxado. Se não dormíssemos, teríamos de consumir um número muito maior... 

    Se não dormíssemos, teríamos de consumir um número muito maior de calorias para sobreviver, o que seria extremamente difícil para os homens primitivos. Num mundo onde o alimento era escasso, dormir er... 


    Dormir com o rosto ‘enterrado’ no travesseiro
    A gravidade aumenta quando se dorme de barriga para baixo”, explica Patel. O efeito imediato – flacidez e olhos inchados – é causado pela força de gravidade, que faz com que o fluido desça. A longo prazo, isso pode levar a uma perda de colágeno.


    Dormir pouco contribui para o envelhecimento precoce do cérebro

    Pesquisadores chineses também associaram o declínio cognitivo e a demência à duração do sono

    02/07/2014 - 02h02 - Atualizada em: 02/07/2014 - 06h59

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    Por Redação NSC

       




    Cientistas da Duke-NUS Graduate Medical School, em Cingapura, encontraram evidências de que quanto menos as pessoas dormem, mais rapidamente seus cérebros envelhecem. Estes resultados abrem caminho para futuros trabalhos sobre a perda de sono e sua contribuição para o declínio cognitivo, incluindo a demência.


    Pesquisas anteriores já haviam examinado o impacto da duração do sono nas funções cognitivas em idosos. Apesar da rapidez do alargamento do ventrículo cerebral ser um sinal para o declínio cognitivo e para o desenvolvimento de doenças neuro degenerativas, tais como a doença de Alzheimer, os efeitos do sono sobre este fator nunca foram medidos.

    A investigação analisou dados de 66 idosos chineses. Os participantes passaram por exames cerebrais de ressonância magnética estrutural de medição do volume do cérebro e avaliações neuropsicológicas testando a função cognitiva a cada dois anos. Além disso, a sua duração do sono foi registrada através de um questionário. Aqueles que dormiam menos horas mostraram evidências de rápido aumento do ventrículo e declínio no desempenho cognitivo.

    - O trabalho realizado sugere que sete horas por dia para os adultos parece ser o ponto ideal para um ótimo desempenho em testes cognitivos baseados em computador. Nos próximos anos, esperamos determinar o que é bom para a saúde do cérebro a longo prazo também- afirma o professor Michael Chee, autor e diretor do Centro de Neurociência Cognitiva na universidade.

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    O primeiro é fácil de entender. Enquanto você dorme, ... 


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    dormir bem é essencial para uma vida saudável, todo mundo sabe. Mas por quê? A ciência explica o que você faz enquanto não está fazendo nada
    Vítor Ferreira Campos
    vitorf.campos@hotmail.com

    Comportamento por impulso, menor tempo de reação, menor percepção do que está ao seu redor e diminuição nas respostas cognitivas. Poderia ser um quadro clássico de uma noite regada à álcool, mas é apenas o que a falta de sono faz com você. Dormir é tão importante que, caso você fique 2 dias sem uma boa noite de sono, seu sistema imune começa a se desregular. Depois de 3 dias sem dormir, há relatos de pessoas que começaram a ver alucinações. Não bastassem os efeitos fisiológicos, estudos mostram que indivíduos que não dormem bem, apresentam um aspecto menos saudável e dessa forma, menos atraente ao sexo oposto. Sim, já sabemos que dormir é importante. Mas por quê? Qual a função do sono? 

    Existe um grande debate no meio científico quanto a função do sono. No entanto, entende-se que não há apenas uma função principal, mas sim diversas. Entre elas: limpar as toxinas do cérebro, recuperar metabólitos que foram despendidos durante a vigília, regular hormônios do corpo e consolidar memórias. 

    Desde o início da vida na Terra existem os ciclos claro e escuro, e tais ciclos criaram mecanismos circadianos, ou seja, nosso relógio biológico que regula nosso corpo durante os perídos diurno e noturno. Os primeiros estudos cognitivos do sono foram realizados por volta de 1924, em que cientistas demonstraram que quando pessoas estão aprendendo sílabas de uma nova  língua, há um decaimento exponencial de quantas sílabas elas conseguem se lembrar ao longo do tempo. No entanto, caso exista um período de sono após o aprendizado, tal decaimento ocorre de forma menos intensa. Outros experimentos realizados na década de 90 mostraram como a privação do sono afeta diretamente a consolidação das memórias. Em 2004, um grupo de cientistas alemães apresentaram a teoria que o sono possui  relevância na formação de ‘insights’, isto é, ideias originais. Tais ideias são geradas pela junção de diversas ideias antigas da sua mente que são recombinadas. O sono seria o momento mais propício para essa recombinação, como já relatado por diversos artistas, músicos e cientistas. Tal recombinação também ajudaria a encontrar a solução de problemas específicos do dia a dia.

    Durante a noite, nós temos de quatro a cinco ciclos de sono, os quais são formados por dois tipos sono. O primeiro possui ondas lentas, em que não há a sensação de sonho. O segundo tipo, conhecido como sono REM (Rapid Eye Moviment), devido ao movimento que nossos olhos realizam durante essa fase, é o que se caracteriza a fase em que os sonhos acontecem tipicamente. 

       Fases do sono. Fonte: http://www.naiaodonto.com.br/sono-qualidade/

    O som do despertador que nos acorda pela manhã normalmente interrompe algum desses ciclos, o que não é saudável. Nos dias de hoje, vivemos na era da privação do sono, em que a parcela do nosso dia que era dedicada a deitar na cama e dormir, vem sendo cada vez mais negligenciada, seja por mais trabalho, seja por mais entretenimento. Adolescentes precisam em média 9 horas de sono, enquanto adultos precisam de 8 horas. Pessoas que trabalham durante a noite lutam constantemente contra o próprio relógio biológico do sono, por mais que eles durmam 8 horas por dia. Isso porque, ao longo da evolução, nosso corpo foi condicionado a permanecer no estado de vigília durante o dia e em repouso durante a noite. Dessa forma, ainda que esses trabalhadores consigam a quantidade de tempo de sono teoricamente necessária para uma vida saudável, seu próprio ciclo circadiano atua de maneira oposta. Além disso, Rimenez Souza, pesquisador do departamento de psicologia da UFSCar, alerta sobre a relação entre sono e transtornos de ansiedade: “Estudos apontam que quase todos os pacientes diagnosticados com algum transtorno de ansiedade apresentam alterações significativas nos ciclos do sono, refletindo em quadros importantes de insônia, por exemplo. Em contrapartida, estudos demonstram que distúrbios do sono também são gatilhos para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade, e até quadros de depressão e abuso de drogas.”

    Um outro dado interessante é que 31% dos motoristas já passaram pelos chamados ‘microsonos’ e muitos deles causaram acidentes devido a esse fenômeno tão comum. A ausência da quantidade diária de sono necessária provoca um aumento na impulsividade, associada a um julgamento mais pobre, além de menos criatividade e consolidação de memórias. Com o cérebro cansado, uma pessoa privada de sono tende a consumir mais drogas, como cafeína e álcool, além de promover a chance de se tornar um obeso devido a liberação de hormônios que requerem ao corpo uma quantidade maior de carboidratos. Pessoas cansadas devido a falta de sono também são mais estressadas, o que já foi comprovado estar associado com maiores chances do surgimento de câncer, diabetes e doenças cardiovasculares.

    Dormir pode ser uma forma de restaurar a energia e os nutrientes necessários para o bom funcionamento do cérebro.Também está relacionado com a excreção de metabólitos já desnecessários para esse órgão. A maioria dos  órgãos realiza essa excreção por meio do sistema linfático. No entanto, não existem vasos linfáticos no cérebro. Dessa forma, ele promove uma autolimpeza de forma diferente dos outros órgãos. Isso ocorre por meio do líquido cefalorraquidiano, que preenche os espaços que circundam o cérebro e que recebe os metabólitos excretados pelo mesmo, semelhante ao sistema linfático. Esse líquido interage com a parte externa dos vasos sanguíneos para sequestrar tais metabolitos. O mais interessante é que esse processo ocorre quase exclusivamente durante o sono, em que o líquido cefalorraquidiano corre pelo cérebro, e ao mesmo tempo, o sangue  recobre ainda mais o encéfalo, devido a uma pequena diminuição das células cerebrais nesse período. 

    Assim, observa-se que é durante o sono que o cérebro faz sua limpeza diária, já que não pode realizá-la durante o dia enquanto está trabalhando intensamente. Ainda existem muitas perguntas não respondidas no campo do sono e dos sonhos.Não entendemos muito bem, pro exemplo, como  durante o sono algumas memórias são fortalecidas, extinguidas ou então modificadas. Não se sabe sabe também como o sono dispersa as memórias dentro do cérebro. É importante pesquisarmos e investigarmos mais os mecanismos e a funcionalidade do sono no nosso organismo, afinal de contas, dormir é algo que fazemos por 1/3 da nossa vida, logo, sua relevância é indiscutível. Eventualmente, novas respostas surgirão e, inevitavelmente, novas perguntas também. Sorte nossa que a ciência nunca dorme.

    Leituras sugeridas






    envelhecimento? É verdade que o 


    Sonho e Sonhos: bases neurobiológicas, atividade cerebral e teorias interpretativas de seu conteúdo – por Elimar Mayara de Almeida Menegotto-extraído do livro “Tópicos em Neurociência Clínica”-Elisabete Castelon Konkiewitz-editora UFGD-2009

     

     1503959_778692502143155_470115885_n1 INTRODUÇÃO

    O sono e os sonhos são misteriosos. A cada noite, abandonamos nossos companheiros, nosso trabalho e nosso lazer e entramos no retiro do sono. Temos somente controle limitado sobre a decisão; podemos adiar o sono por algum tempo, mas somos inevitavelmente vencidos por ele. Gastamos aproxi­madamente um terço de nossas vidas dormindo, e a quarta parte deste tempo sonhando ativamente.

    O hábito de dormir é universal entre os vertebrados superiores, talvez entre todos os ani­mais. A privação prolongada de sono é devastadora, ao menos temporariamen­te, para um funcionamento adequado e, em alguns animais (embora não em hu­manos), ela pode causar até mesmo a morte. [1]

    O sono é definido como um estado de inconsciência do qual a pessoa pode ser despertada por estímulo sensorial ou outro estímulo. Durante o sono, ao contrário do que faz parecer a relativa imobilidade do corpo, o Sistema Nervoso Central é sede de intensa atividade. Existem múltiplos estágios de sono, do sono muito leve ao sono muito profundo; o sono também é dividido em dois tipos diferentes de acordo com suas características, e em fases de acordo com a atividade elétrica cerebral. [2][5]

    Sobretudo, o sono é essencial para as nossas vi­das – quase tão importante como a alimentação e a respiração. Mas por que dormimos? De que resulta o sono? Para que propósito serve? Como se comporta? [1]

    2 SONO E SONHOS

    2.1 BASES NEUROBIOLÓGICAS

    Durante cada noite, uma pessoa percorre estágios de dois tipos de sono que se alternam um com o outro em ciclo. Eles são chamados de sono de ondas lentas, ou sono não-REM e sono paradoxal ou sono REM. [2]

    2.1.1 Sono de ondas lentas

    O sono não-REM parece estar projetado para o repouso. Este sono é excepcionalmente relaxante e está associado à diminuição do tônus vascular periférico e de muitas outras funções vegetativas do corpo. Ocorre uma diminuição de 10 a 30% na pressão arterial, na freqüência respiratória e na taxa metabólica basal. [1] [2]

    A tensão muscular está reduzida em todo o corpo e o movimento é mínimo. O corpo é capaz de mo­vimentos durante o sono não-REM, mas só o faz raramente, sob o comando en­cefálico, geralmente para ajustar a posição corporal.

    A temperatura e o consumo de energia do corpo estão reduzidos. Em decorrência de um aumento na ativida­de da divisão parassimpática do sistema neurovegetativo, a freqüência cardíaca, a respiração e a função renal ficam mais lentas, enquanto os processos digestivos aumentam. O encéfalo também parece repousar. Sua taxa de uso de energia e as taxas de disparo de seus neurônios em geral estão no nível mais baixo de todo o dia.

    Em­bora não exista uma maneira de se saber com certeza o que as pessoas estão pensando quando estão dormindo, os estudos indicam que os processos mentais também atingem seu nível diário mais baixo durante o estágio não-REM.

    Quan­do acordadas, as pessoas normalmente não se recordam de nada ou somente recordam de pensamentos muito vagos, isto não quer dizer que não haja sonhos, mas ocorre porque não há a consolidação de sonhos na memória durante o sono não-REM. [1]

    Quando presentes, os relatos de sonhos na fase não-REM tendem a ser mais curtos, menos nítidos, com menor conteúdo emocional e mais coerentes que os ocorridos durante o sono REM. [6]

    2.1.2 Sono REM

    Do inglês Rapid Eye Movement, um estado de sono que se caracteriza pelo movimento rápido dos olhos; também chamado de sono paradoxal, pois o EEG (eletroencefalograma) parece quase indistinguí­vel daquele de um encéfalo ativo, em vigília, com oscilações rápidas e de baixa voltagem, muito mais semelhante com o do estado acorda­do que com o de dormindo.

    Embora os períodos REM sejam responsáveis pela menor parte do sono, esta é a parte em que temos sonhos intrigantes e enigmáticos. Alguém que é acordado durante o sono REM, provavelmente relatará episódios visuais detalhados, freqüentemente com histórias bizarras.

    A fisiologia do sono REM também é especial. O consumo de oxigênio pelo encéfalo (uma medida de sua utilização de energia) é mais elevado no sono REM do que quando estamos acordados e con­centrados. Há uma perda quase total do tônus muscular esquelético, ou atonia. A maior parte do corpo está realmente incapaz de movimentação. Os músculos que controlam o movimento dos olhos e os pequenos músculos do ouvido interno são exceções; eles estão nitidamente ativos. Com as pálpebras fechadas, os olhos ocasionalmente movem-se com rapidez de um lado para o outro. Estes sur­tos de movimentos rápidos dos olhos são os melhores indícios dos sonhos vívi­dos, e 90 a 95% das pessoas acordadas durante ou após estes momentos relatam sonhos.

    Os sistemas fisiológicos de controle são dominados pela atividade simpática durante o sono REM. A temperatura interna começa a ser direcio­nada para níveis mais baixos. As freqüências cardíaca e respiratória aumentam, mas tornam-se irregulares. [1]

    2.1.3 O ciclo do sono

    Mesmo uma boa noite de sono não é uma jornada estável, ininterrupta. O sono toma conta do encéfalo por um percurso de repetidas variações de atividade. Aproximadamente 75% do tempo total do sono são gastos no so­no não-REM e 25% em sono REM, com ciclos periódicos entre estes estágios por toda a noite. [1]

    Durante o sono, o individuo passa, geralmente por ciclos repetitivos, começando pelo estágio 1 do sono não-REM, progredindo até o estágio 4, regride para o estágio 2, e entra em sono REM. O ciclo se repete a cada 90-110 minutos, 4 a 6 vezes por noite. [8]

    Esses estágios não-REM do sono são divididos de acordo com a atividade elétrica cerebral em cada momento do sono, captada no EEG. O registro do EEG é um conjunto de muitos traçados irregulares simultâneos, que indica alterações de voltagem nas correntes que fluem durante a excitação sináptica dos dendritos de muitos neurônios do córtex cerebral.  São distintos 4 tipos de ondas no EEG, denominadas alfa, beta, teta e delta. [1]

    As ondas alfa situam-se aproximadamente entre 8 e 13Hz e estão associadas com estimulação síncrona do tálamo aos neurônios do córtex; presentes em  estados de vigília, em repouso e sonolência. As ondas beta são as mais rápidas, maiores que 14Hz, e sinalizam um córtex ativado, com neurônios disparando de forma assíncrona. As ondas teta situam-se de 4 a 7Hz e ocorrem durante alguns estados de sono. Já as delta, muito lentas e menores que 4Hz, indicam um sono profundo, resultante de mecanismo de ativação intrínseco do córtex. [8]

    Habitualmente quando um adulto saudável torna-se sonolento e começa a dor­mir, ele entra primeiramente no estágio 1 do sono não-REM. O estágio 1 é o sono transicional, quando os ritmos alfa do EEG da vigília relaxada vão se tornando menos regulares e acabam minguando, os olhos fazem movimentos de rotação lentos. Começa com uma sonolência e depois de aproximadamente cinco minutos, a pessoa adormece. Trata-se de um estágio passageiro, e também o estágio de sono mais leve, estando o indivíduo facilmente despertável. Predominam sensações de vagueio, pensamentos incertos, mioclonias das mãos e dos pés, lenta contração e dilatação pupilar. Nessa fase, a atividade onírica está sempre relacionada com acontecimentos vividos recentemente. [1] [8]

    O estágio 2 é levemente mais profundo e pode durar 5 a 15 minutos. Caracteriza-se por a pessoa já dormir, porém não profundamente. O EEG mostra freqüências de ondas mais lentas, aparecendo o complexo K, e a oscilação ocasional do EEG de 8 a 14 Hz, o chamado fuso do sono, o qual se sabe que é gerado por um marca-passo talâmico. Nessa fase, despertar por estimulação tátil, fala ou movimentos corporais são mais difíceis do que no estágio anterior. Aqui a atividade onírica já pode surgir sob a forma de sonho com uma história integrada. [1] [8]

    Na se­qüência, o estágio 3 e o EEG inicia ritmos delta lentos, de grande amplitude: os movimentos dos olhos e do corpo estão ausentes. Tem muitas semelhanças com o estágio 4, porém, nesse estágio as ondas delta não predominam, diferente do estágio 4. Nessas fases, os estímulos necessários para acordar são maiores. Do estágio 3 para o estágio 4, há uma progressão da dificuldade de despertar. O estágio 3 tem a duração de cerca de quinze a vinte minutos. [1] [8]

    O 4 é o estágio de sono mais profundo, com ritmos do EEG de grande amplitude. Duran­te o primeiro ciclo de sono, o estágio 4 pode persistir por 20 a 40 minutos. Este estágio não-REM do sono caracteriza-se pela secreção do hormônio do crescimento em grandes quantidades, promovendo a síntese protéica, o crescimento e reparação tecidual, inibindo, assim, o catabolismo.

    Após o estágio 4, o sono começa a se tornar mais leve novamente, ascende até o estágio 3 por 5 minutos e ao 2 por 10 a 15 minutos e entra, repentinamente, em um breve período de sono REM, com seus ritmos beta no EEG e movimentos nítidos e freqüentes dos olhos.  [8]

    FaseCaracterísticas% do sono total
    • Fase I:
    • Fase II
    • Fase III:
    • Fase IV:
    • REM:
    sonolência, sono leve (atividade alfa/beta)sono leve, fusos do sono (atividade alfa, teta)atividade teta/delta (delta <50%)atividade teta/delta (delta >50%)movimento rápido dos olhos (atividade beta)5-10%50-60%15-20%20-25%

    Tabela 1: Características das fases do sono [3]

    eletroencefalograma durante o sono

    Figura 1: EEG nas diversas fases do sono e vigília. (Disponível em: http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2000/sono/eeg.htm)

    À medida que a noite progride e a pessoa fica mais descansada, principalmente a partir da metade do sono total, ocorre uma redução geral na duração do sono não-REM, particularmente dos estágios 3 e 4, e um aumento dos períodos REM. [9]

    Metade do sono REM de uma noite ocorre durante o seu último terço e os ciclos REM mais longos podem durar de 30 a 50 minutos. Parece haver, ainda, um pe­ríodo refratário obrigatório, de aproximadamente 30 minutos, entre os períodos de REM; em outras palavras, cada ciclo REM é seguido por pelo menos 30 minu­tos de sono não-REM antes que o próximo período de sono REM possa se iniciar. [1]

     arquitetura do sono

    Figura 2: Duração dos estágios de sono durante o sono. (Disponível em: http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=2&materia_id=462&materiaver=1)

    2.1.4 Mecanismos neurais

    A primeira teoria sobre o sono foi a teoria passiva do sono, a qual postulava que as áreas excitatórias da parte superior do tronco cerebral, o sistema ativador reticular, simplesmente se fatigavam durante a vigília tornando-se, em conseqüência, inativas, causando o sono. Porém, há diferentes sistemas neuronais que promovem alerta e sono, localizados principalmente na ponte, no bulbo e no hipotálamo. [2][6]

    Moruzzi e Magoun demonstraram que a estimulação elétrica da formação reticular mesencefálica promovia o estado de vigília, e, ao contrário, lesão nessa região promovia estado comatoso. A experiência demonstrou que a transecção do tronco cerebral ao nível médio da ponte cria um cérebro cujo córtex nunca dorme. Descobriram também que a formação reticular mesencefálica é inibida por um sistema localizado no bulbo.

    A estimulação do hipotálamo posterior produz alerta parcialmente mediado por neurônios histaminérgicos que se conectam para baixo com células do tronco encefálico e acima com células prosencefálicas. A destruição desses neurônios histaminérgicos no hipotálamo posterior aumenta o sono. Igualmente, o bloqueio das projeções histaminérgicas por medicamentos promove o sono.

    Já o hipotálamo anterior, sob estimulação, induz o sono, e a lesão dessas áreas produz vigília prolongada. A ação indutora de sono dessa área é mediada por neurônios inibitórios GABA-érgicos chamados células on-não-REM, que produzem sono por inibir as células histaminérgicas do hipotálamo posterior e as células do núcleo reticular pontino que medeiam o alerta. Esses neurônios são muito ativos no sono não-REM. [6]

    3 FUNÇÃO NA ATIVIDADE CEREBRAL

    O sono causa dois tipos principais de efeitos fisiológicos; primeiro, efeitos no próprio sistema nervoso, e, segundo, em outros sistemas funcionais do corpo. Os efeitos no sistema nervoso parecem ser os mais importantes, já que, uma pessoa com medula seccionada a nível cervical não tem alterações no ciclo sono-vigília. [2]

    Nenhuma teoria da função do sono é completamente aceita, mas a falta de sono certamente afeta as funções do sistema nervoso central. A vigília prolongada está geralmente associada à má função progressiva no processo de pensamento, diminuição da capacidade intelectual, perda de memória e reflexos e algumas vezes pode causar atividades comportamentais anormais como aumento da ansiedade, irritabilidade, depressão e reações emocionais diversas. Portanto, podemos presumir que o sono restaura de muitas formas tanto os níveis normais da atividade cerebral como o equilíbrio normal entre as diferentes funções do sistema nervoso central. [1][2]

    Essa é uma das teorias mais razoáveis da função do sono: teoria de restauração, a qual postula que a principal função do sono é restaurar o equilíbrio natural entre os centros neuronais.

    A segunda, teoria de adaptação, é menos óbvia: vê o sono como adaptação para conservação de energia. Enquanto dorme, o corpo trabalha o suficiente para manter-se vivo. A temperatura interna do corpo cai e a taxa de consu­mo de calorias é mantida baixa. Assim o organismo entra em um estado de repouso, recuperando energias para uma próxima vigília. [1]

    3.1 O SONO E A MEMÓRIA

    Além de o sono restaurar as capacidades mentais, as memórias podem ser consolidadas e processadas durante o sono.

    O processamento das informações é sugerido pelos neurônios hipocampais, que codificam a localização espacial e estão ativos durante a vigília, sendo ativados principalmente em períodos de sono REM subseqüentes quando comparados a neurônios que não estão ativos na vigília. A inferência é que memórias estão sendo relacionadas a outras informações cerebrais, constituindo um processamento off-line de informações adquiridas durante o dia ao longo da vida do individuo. [3]

    Para consolidação das memórias, as informações devem ser coletadas no hipocampo, onde são armazenadas temporariamente, e transmitidas ao neocórtex, para se tornarem memória de longo prazo. Durante o sono REM, há uma redução da atividade da acetilcolina, substância responsável pela retenção de informações no hipocampo. Dessa forma, é facilitada essa transferência das informações.

    Cada fase do sono é usada pelo cérebro para estocar determinado tipo de informação. Nas duas fases mais leves do sono, informações morotas, relacionadas a atividades como tocar um instrumento musical ou praticar um esporte. Nas fases 3 e 4, o cérebro se encarregaria de armazenar memória espacial. E a memória intelectual, ligada ao pensamento lógico e matemático, estaria relacionada ao sono REM. [7]

     Jacob's ladder

    4 TEORIAS INTERPRETATIVAS

    Os sonhos são uma seqüência de fenômenos psíquicos, imagens, representações, atos e idéias, que, involuntariamen­te, ocorrem durante o sono. Desde o princípio, a atividade onírica parece fascinar a humanidade. Antes ela estava associada à influência dos deuses ou demônios, logo após ela adentra no mundo científico, merecendo estudos e sistematizações. [1]

    Freud sugeriu muitas funções para os sonhos. Para Freud, havia por trás dos sonhos desejos disfarçados, sendo o sonho, uma via para realização e expressão de fantasias proibidas durante a vigília.  A força motivadora para a formação dos sonhos seria fornecida por um impulso inconsciente, reprimi­do durante o dia, o qual perturbaria o sono e seria transformado numa forma dramática e mais aceitável pelo trabalho do sonho. [1][4]

    Charity by Guido Reni
    Imagem arquetípica- “A grande Mãe”- que pode aparecer nos sonhos

    Charity by Guido Reni

    Já Jung, considerou sonho uma representação simbólica do estado da psique. Para Jung, o sonho mostra os conteúdos da psique pessoal (os complexos) sob uma forma per­sonificada ou representacional, como pessoas, objetos e situações que refletem os padrões mentais, não havendo um objetivo oculto no sonho. [4]

    Dream Under a Desert Sky- by visually impaired artist Stella De Genova
    Dream Under a Desert Sky- by visually impaired artist Stella De Genova
    Imagem arquetípica -"O Velho Sábio"-que pode aparecer em sonhos-St Matthew and the Angel by Guido Reni
    Imagem arquetípica -“O Velho Sábio”-que pode aparecer em sonhos-St Matthew and the Angel by Guido Reni
    Carl Gustav Jung (1875-1960) acreditava na existência do inconsciente. No entanto, ele não via o inconsciente como animalesco, instintivo ou sexual e sim como algo espiritual. Segundo Jung, os sonhos são uma forma de comunicação e familiarização com nosso inconsciente.

    Os sonhos são uma janela para o inconsciente, servem para orientar o eu desperto a conseguir a plenitude e solução para  os problemas que o indivíduo enfrenta em sua vida de vigília.  Parte da teoria de Jung é que todas as coisas podem ser vistas como opostos emparelhados  bom/mau, masculino/feminino, ou amor/ódio e ele entendia o “ego” como sendo  o “senso de si mesmo”, então, a oposição do ego seria a “sombra”. A sombra representa os aspectos rejeitados de nós mesmos, aqueles que não desejamos reconhecer como nossos. A sombra é mais primitiva, um pouco inculta  e pouco hábil.  Como os sonhos são uma maneira de comunicação com o inconsciente, Jung acreditava que as imagens oníricas revelariam algo sobre nós mesmos, nossos relacionamentos com outras pessoas e situações de nossas vidas. Sonhos orientam nosso crescimento pessoal e ajudam a atingir nosso pleno potencial. 

    O método de Jung para interpretação dos sonhos é colocar mais confiança sobre as interpretações do próprio sonhador. Ele acreditava que todos possuem as ferramentas necessárias para interpretar seus próprios sonhos, não existindo uma maneira única e correta de interpretação dos sonhos. O significado dos seus sonhos é uma decisão pessoal e cabe a você como interpretá-los. Para ajudar ainda mais a descobrir o significado dos sonhos, Jung observou certos símbolos oníricos que possuem o mesmo significado universal para todos os homens e mulheres. Símbolos esses que fariam parte do “inconsciente coletivo”. Enquanto os sonhos são pessoais, suas experiências pessoais, ainda assim, muitas vezes tocam em temas e símbolos universais. Estes símbolos estão presentes em todas as culturas ao longo do tempo.

     Exemplos:

    1. A persona: é a imagem que você apresenta para o mundo em sua vida de vigília. É a sua máscara pública. No mundo dos sonhos, o personagem é representado pelo Self.  Por exemplo, o personagem pode aparecer como um espantalho ou um mendigo em seu sonho, no entanto, o sonhador sabe que essa “pessoa” em seu sonho é ele próprio.
    2. A sombra:é a porção reprimida e contém aspectos rejeitados de si mesmo. É a parte de si mesmo que você não quer que o mundo veja porque ele é feio ou desagradável. Ele simboliza a fraqueza, medo ou raiva. Nos sonhos, essa figura é representada por um perseguidor, assassino, um tirano, pode ser uma figura assustadora, ou mesmo um amigo ou parente próximo. Sua aparência, muitas vezes faz você sentir raiva ou medo. Esse tipo de sonho o força a confrontar as coisas que você não quer ver ou ouvir. 
    3. O Anima / O animus:é o sexo feminino e masculino enquanto aspectos de si mesmo. Todos têm aspéctos tanto masculinos como femininos. Nos sonhos, a anima aparece como uma figura altamente feminina, enquanto o animus aparece como uma forma de hiper-masculino. Ou você pode sonhar que está vestido com roupa de mulher, se você é homem ou que deixou a barba crescer, se você for mulher. Esses imaginários aparecem, dependendo de quão bem você é capaz de integrar as qualidades femininas e masculinas dentro de si. Eles servem como um lembrete de que você deve aprender a reconhecer e expressar seu lado masculino (ser mais assertivo) ou feminino (ser mais emocional).
    4. ACriança Divina:é o seu verdadeiro eu em sua forma mais pura. Ela não só simboliza a sua inocência, seu senso de vulnerabilidade, e seu desamparo, mas representa suas aspirações e potencialidades, esta figura é representada por um bebê ou criança pequena.
    5. O Velho Sábio / A mulher sábia:é o auxiliar em seus sonhos.Representado por um professor, pai, médico, padre ou alguma autoridade ou mesmo por uma figura desconhecida, esses sonhos servem para oferecer orientação e palavras de sabedoria. Eles aparecem em seu sonho como uma forma de orientação.
    6. A Grande Mãe:aparece em seus sonhos como sua própria mãe, avó ou outra figura feminina repleta de bondade e carinho.Ela lhe oferece confiança positiva. Negativamente, pode ser descrita como uma bruxa ou mendiga.
    7. O Malandro:, como o nome implica, é um brincalhão que não quer que você se torne sério demais. O malandro pode aparecer em seu sonho quando você exagerar ou subestimar uma situação ou quando você estiver incerto sobre uma decisão. O malandro muitas vezes faz você se sentir desconfortável ou constrangido, por vezes, zombando de você ou expondo suas vulnerabilidades. Ele pode assumir formas sutis, às vezes até mudar a sua forma.

    Sonhos arquetípicos, também chamados de “sonhos míticos” ou “grandes sonhos”, geralmente ocorrem em momentos importantes ou períodos de transição em nossas vidas. Tais sonhos têm uma qualidade cósmica, são extremamente vivos e permanecem em nossa mente muito tempo depois que tivemos o sonho, as vezes, por anos e anos.Bons Sonhos!

    extraído de: http://carlalindolfo.wordpress.com/2010/11/20/jung-e-os-significados-dos-sonhos/

    Teorias recentes dos sonhos são mais biologicamente fun­damentadas. Allan Hobson e Robert McCarley, de Harvard, propõem a hipótese de “ativação-síntese”, a qual explicitamente rejeita as inter­pretações psicológicas. Em vez disso, os sonhos são vistos como associações e memórias do córtex ce­rebral causadas por descargas aleatórias da ponte durante o sono REM. Assim, os neurônios pontinos, através do tálamo, ativam várias áreas do córtex cerebral e provocam imagens ou emoções bem conhecidas e o córtex tenta sintetizar as imagens discrepantes em um todo com sentido, gerando o sonho.

    Tão surpreendentemente o pro­duto do sonho “sintetizado” pode ser completamente estranho ou mesmo sem sentido, pois é disparado por atividade semi-aleatória da ponte.

    As evidências para a hipótese da ativação-síntese são algo incongruentes. A hipótese prevê a extravagância dos sonhos e sua correlação com o sono REM, mas não explica co­mo a atividade ao acaso pode disparar histórias fluentes e complexas que mui­tos sonhos podem conter, nem como pode causar sonhos que se sucedem repeti­damente noite após noite. [1]

    Elimar Mayara de Almeida Menegotto-médica-graduada pela VIIIa turma -UFGD

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    [1] BEAR, MF, CONNORS, BW, PARADISO, MA. Os rirmos do encéfalo. Neurociências – Desvendando o sistema nervoso. Porto Alegre: Artmed, 2006, 2ª ed. Cap 19, p. 606-636.

    [2] GUYTONA.CHALLJ. E. Estados de Atividade Cerebral – Sono, ondas cerebrais, epilepsia, psicose. Tratado de fisiologia médica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006, 11ª ed, cap 59, p. 739-747

    [3] MCCARLEY, RW. Eletrofisiologia humana e mecanismos básicos do sono. Neuropsiquiatria e neurociências na prática clínica. Porto Alegre: Artmed, 2006, 4ª ed, cap 2, p. 53-75.

    [4] OLIVEIRA, EC. A interpretação dos sonhos. Cientefico. Ano VII, v. II, p.314. Salvador, julho-dezembro 2007.

    [5] PINTO JR., LR; TIMO-IARIA, C. Atividade onírica e dos sonhos. Medicina e biologia do sono. Barueri: Manole, 2008, 1ª ed, Cap 19, p. 227-239.

    [6] RECHTSCHAFFEN, A; SIEGEL, J. Sono e Sonhos. Princípios da Neurociência.  Barueri: Manole, 2003, 4ª ed, Cap 47, p. 936-947.

    [7] http://veja.abril.com.br/211107/p_098.shtml

    [8] http://pt.wikipedia.org/wiki/Sono

    [9] http://www.clinar.com.br/sono.htm

    3 thoughts on “Sonho e Sonhos: bases neurobiológicas, atividade cerebral e teorias interpretativas de seu conteúdo – por Elimar Mayara de Almeida Menegotto-extraído do livro “Tópicos em Neurociência Clínica”-Elisabete Castelon Konkiewitz-editora UFGD-2009

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